Brasil Política

19/10/2021 | domtotal.com

Lira ignora postura de Bolsonaro e impõe 'passaporte sanitário' na Câmara

Volta ao trabalho presencial será autorizada somente para vacinados

Aliado de Bolsonaro, Lira tem posição diferente sobre vacinação
Aliado de Bolsonaro, Lira tem posição diferente sobre vacinação (Marcos Corrêa/PR)

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), anunciou nesta terça-feira (19) a retomada dos trabalhos presenciais na Casa na segunda-feira (25). Para isso, impôs como condição uma espécie de "passaporte sanitário" para ingressar no prédio. "Serão tomadas todas as medidas administrativas e sanitárias no retorno das atividades, entre elas, a apresentação da carteira de vacinação", disse Lira, por meio de seu Twitter.

A volta das atividades presenciais acontece depois de um ano e meio de pandemia, que fez o Poder Legislativo limitar a ocupação do espaço para evitar a disseminação da Covid-19. Neste período, a Câmara adotou um modelo híbrido, em que deputados participam das votações virtualmente e poucos parlamentares vão presencialmente ao plenário.

A exigência de apresentar um comprovante de vacinação, porém, vai na contramão do que defende o presidente Jair Bolsonaro, aliado de Lira. O chefe do Executivo, que diz não pretender se vacinar, tem feito críticas à adoção de passaportes de vacina em cidades do País e no exterior. Questionada, a assessoria de Lira não informou se a exigência também valeria para Bolsonaro e demais visitantes da Câmara.

Em setembro, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, havia a exigência de que as pessoas entrassem vacinadas, mas a medida não foi aplicada para chefes de Estado e Bolsonaro participou mesmo sem ter se imunizado.

Um projeto de lei que prevê a adoção do passaporte de vacinação em todo o país foi aprovado pelo Senado no dia 10 de junho, mas parou na Câmara.

Uma semana depois de os senadores aprovarem o projeto, Bolsonaro durante live nas redes sociais, reclamou da iniciativa. "Nós primamos pela liberdade. Não pode obrigar as pessoas a tomar vacina. Liberdade acima de tudo. Se alguém quiser demitir alguém alegando que não tomou vacina, isso vai ocorrer. Por justa causa talvez", afirmou. Bolsonaro também ameaçou vetar a medida caso o Congresso aprove.

Enquanto não há uma lei nacional que determine a exigência de estar vacinado para circular nos espaços, cidades como Rio e São Paulo aplicaram a iniciativa em âmbito local.



Agência Estado



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