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20/10/2021 | domtotal.com

Vídeo: mãe filmada pegando comida em caminhão de lixo chora e diz que fez pelo filho

Imagem viralizou e provocou indignação e revolta nas redes sociais

Imagem viralizou e provocou indignação e revolta nas redes sociais
Imagem viralizou e provocou indignação e revolta nas redes sociais

“Tinha dias que tinha cuscuz aqui em casa e meu filho perguntava: 'mãe, tem ovo?' E respondia não tenho”, o relato é de dona Fernanda, moradora de Fortaleza que estava entre as pessoas que pegaram comida de um caminhão de lixo em um bairro nobre da cidade. O vídeo foi divulgado no último domingo (17), viralizou e provocou indignação e revolta nas redes sociais.



A diarista foi localizada pela Central Única das Favelas (CUFA), que levou cestas básicas para algumas pessoas identificadas no vídeo. Mãe, Fernanda diz que ficou sem trabalho na pandemia e, por isso, passou a buscar verduras e legumes no lixo. Ao lado de dona Lúcia, que também se alimenta com comida do lixo, ela não conteve as lágrimas e revelou preocupação com o filho.

“Agora estou começando a pegar minhas faxinas de volta, graças a Deus. Quem tem filho é assim: a gente tem que lutar para eles não fazerem coisa errada”, disse em entrevista veiculada no programa Encontro, da TV Globo, nesta quarta-feira (20).  

As cenas foram registradas na porta de um supermercado no bairro Cocó, área nobre de Fortaleza, pelo motorista de aplicativo André Queiroz, que compartilhou o material nas redes sociais neste domingo (17). O grupo disputava espaço no caminhão de lixo para pegar restos de alimentos.

"É isso aí que você vê no vídeo. Faz pena ver essas pessoas nessa situação humilhante. São idosos e até crianças, algumas vezes. As crianças chegam a entrar no caminhão. Os próprios lixeiros ficam sensibilizados. Alguns chegam até ajudar", disse um funcionário do supermercado ao G1.

Ossos

A alta da inflação impacta fortemente na vida dos mais pobres. Com 14,4 milhões de brasileiros desempregados e com os preços de produtos básicos cada vez mais caros, muitos buscam itens com valores mais acessíveis. No caso das carnes, nem cortes que até pouco tempo eram doados escapam do aumento.

Entre agosto de 2020 e 2021, a alta acumulada no preço da carne bovina chega a 36%, segundo o IBGE. O frango encareceu até mais nesse período: 40,4%. O ovo subiu 20%.

Como contra-filé, maminha, picanha e outros cortes são  para uma minoria privilegiada, quem é pobre busca carcaças e até ossos. Em São Paulo, o pescoço de frango teve elevação de 15,79% no preço em setembro na comparação dos 12 meses, segundo a consultoria Safras e Mercados. A carcaça temperada de frango subiu 45%, o dorso, 60%. Entre os suínos, a maior alta foi no espinhaço (23,91%), que é a "coluna" do porco, e na orelha (20%).

Em Belém, a venda de carcaças de peixe por R$ 3,90 o quilo causou espanto nas redes sociais.



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