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22/10/2021 | domtotal.com

Réquiem para um amor, ópera 'A voz humana' chega ao palco do Municipal

As apresentações acontecem nesta sexta-feira (22), e também nos dias 23 e 25

Peça adaptada para ópera é uma das mais importantes do francês Jean Cocteau
Peça adaptada para ópera é uma das mais importantes do francês Jean Cocteau (AFP)

Uma mulher ao telefone, conversando com o homem que ama - e que, ela agora sabe, ama outra pessoa. É a última conversa entre os dois. E o ponto de partida para uma das mais importantes peças do escritor francês Jean Cocteau, A voz humana, mais tarde adaptada pelo compositor Francis Poulenc em uma ópera que será apresentada a partir de hoje (22) no Theatro Municipal de São Paulo.

"Em certo sentido, é muito mais fácil encenar uma ópera como Tosca", diz o diretor André Heller-Lopes. "Aqui, você tem a soprano no palco o tempo todo, sozinha, durante cinquenta minutos. Não há subterfúgios, não há distrações."

Para ele, o grande desafio da ópera, estreada em 1958, quase 30 anos depois da peça, é construir cenicamente os diversos estados de alma pelos quais passa a personagem.

"O que ela experimenta não é diferente do que todos sentem ao final de um relacionamento. Ela mente, diz a verdade, fica histérica, fala, canta. Ali aparecem a mentira, a perda, a memória, tudo isso está presente no texto. Enquanto a música, em sua diversidade, funciona como se fosse o outro lado da linha", diz o diretor.

Cocteau chamou a personagem simplesmente de Elle (Ela, em português). Mas, para o diretor, a questão do gênero não é tão importante. "A ópera fala dos nossos ciclos na vida, das opções que fazemos, o que deu certo, o que deu errado. A voz humana é isso, a busca por verdades. Não importa o gênero. O que vemos é um réquiem para o amor. Ainda que a questão do suicídio apareça, o que acho interessante é a ideia de que, após a morte do amor, você continua vivo."

Debate

O monólogo, ou monodrama, como Cocteau chamava o texto, será cantado no Municipal pela soprano Rosana Lamosa. As récitas acontecem também nos dias 23 e 25. Participam os músicos da Orquestra Sinfônica Municipal, regidos pelo maestro Alessandro Sangiorgi. Após a obra de Poulenc, será apresentada a peça Ópera aberta para cantora e halterofilista, de Gilberto Mendes.

No dia 25, Dia Mundial da Ópera, o Municipal recebe o segundo encontro Ópera em Pauta, promovido pelo Fórum Brasileiro de Ópera, Dança e Música de Concerto. Os debates e palestras serão realizados entre as 10 e as 18 horas. As inscrições podem ser feitas no site do Theatro Municipal de São Paulo e são gratuitas.

Peça inspirou curta de Pedro Almodóvar, em cartaz na Mostra

A relação do cineasta Pedro Almodóvar com a peça A voz humana, de Jean Cocteau, é antiga. Em 1980, ele fez referência a ela no filme A lei do desejo. E, a princípio, a história de Mulheres à beira de um ataque de nervos também manteria ligação com o enredo da peça.

A adaptação, no entanto, nasceria tempos depois - no ano passado com A voz humana, estrelado pela atriz Tilda Swinton. O curta foi apresentado no Festival de Veneza, fora de competição. E integra a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A versão de Almodóvar não segue fielmente o original, uma vez que o diretor quis, como afirmou em entrevistas, caracterizar Elle não como uma mulher submissa, mas, sim, como afinada ao nosso tempo.

O cineasta não foi o único a se interessar pela obra - e Swinton se insere em uma linhagem de grandes intérpretes do papel. Em 1948, Roberto Rosselini filmou a história com Anna Magnani em L’Amore. Nos anos 1960, Ingrid Bergman atuou em uma versão apresentada pela rede de televisão ABC. Uma década mais tarde, Denise Duval, responsável pela estreia da ópera de Poulenc, a gravou em filme dirigido por Dominique Lelouche. E, em 2014, Sophia Loren também viveu Elle, sob direção de Edoardo Protti.


Agência Estado/Dom Total



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