Ciência e Tecnologia

26/10/2021 | domtotal.com

Facebook Papers: Rede é acusada de ocultar discursos de ódio e fomentar polarização

Mark Zuckerberg teria assinado pessoalmente iniciativa para limitar algumas publicações contra o governo do Vietnã

Novos vazamentos atingem o Facebook, acusada de fomentar a polarização, incluindo com o recurso de 'curtidas'
Novos vazamentos atingem o Facebook, acusada de fomentar a polarização, incluindo com o recurso de 'curtidas' (AFP)

As denúncias feitas contra o Facebook por Frances Haugen, ex-funcionária da empresa, ganharam nova dimensão nos últimos dias. Desde a última sexta-feira (22), um consórcio chamado "The Facebook Papers", formado por 17 veículos jornalísticos dos Estados Unidos, incluindo New York Times, CNN e Washington Post, começou a publicar detalhes dos documentos vazados da empresa de Mark Zuckerberg.

As informações mais recentes vazadas culpam o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, pela plataforma permitir que o discurso de ódio aumente em nível internacional, devido a deficiências linguísticas, e saber que seu algoritmo alimenta a polarização tóxica online e se submeter aos censores estatais do Vietnã.

"Os 'Facebook Papers' são tão condenáveis, tão inquietantes, tão repugnantes, e deveriam levar a uma rápida ação em nível federal", tuitou a professora de direito da Universidade de Fordham Zephyr Teachout, referindo-se ao apelo gerado pelo vazamento de informações da empresa.

Um dos arquivos publicados nessa segunda (25), pelo site The Verge mostra que funcionários do Facebook criaram, no fim de 2019, uma classificação para diferentes países: Brasil, Índia e Estados Unidos foram colocados como a maior prioridade de monitoramento para a rede social. Segundo o site, a empresa configurou "salas de guerra" para acompanhar a rede continuamente nesses locais e alertar os funcionários da Justiça Eleitoral de cada país sobre problemas.

Domínio do mercado

Outras pesquisas publicadas pelo site Politico revelam que o Facebook sabe que domina o mercado de redes sociais - o que pode complicar os argumentos da empresa em processos antitruste nos Estados Unidos. Segundo pesquisas internas da companhia, cerca de 78% dos adultos americanos e quase todos os adolescentes usam os serviços da companhia de Mark Zuckerberg.

De acordo com documentos obtidos pelo New York Times, pesquisadores do Facebook começaram em 2019 um estudo sobre o botão "curtir" para avaliar o que as pessoas fariam se o Facebook removesse as reações de postagens no aplicativo de fotos Instagram.

Em memorando interno no mesmo ano, pesquisadores da empresa disseram que foi a "mecânica do produto principal" do Facebook que permitiu que desinformação e discurso de ódio se espalhassem pela plataforma. "A mecânica da nossa plataforma não é neutra", concluíram.

Os veículos tiveram acesso a documentos recebidos pelo Congresso americano, em grande maioria os materiais divulgados por Frances que prestou depoimento no Senado dos Estados Unidos em 5 de outubro - na ocasião, ela expôs a lógica da empresa de valorizar o crescimento em detrimento da segurança dos usuários. As primeiras revelações de pesquisas internas do Facebook vieram em setembro com uma série de reportagens do Wall Street Journal.

Nos bastidores

O Facebook já foi sacudido por grandes crises, mas as revelações sobre o que ocorre nos bastidores da empresa alimentaram um frenesi de artigos mordazes e um novo impulso aos legisladores americanos para adotar medidas sobre a regulação das redes sociais.

O artigo do The Washington Post, publicado na segunda-feira, afirmava que Zuckerberg tinha assinado pessoalmente uma iniciativa do governo autoritário do Vietnã para limitar a difusão das chamadas publicações "antiestatais".

O site Politico qualificou os documentos de um "tesouro para a luta antimonopólio de Washington" contra a plataforma, revelando conversas internas dos funcionários sobre o domínio global do Facebook.

Os críticos da rede social se lançaram na semana passada sobre um relatório segundo o qual a rede social planeja mudar de nome, argumentando que poderia estar tentando se desviar dos recentes escândalos e controvérsias.

Segundo informação do site The Verge, que o Facebook se negou a confirmar, a companhia pretendia mostrar sua ambição de ser algo mais do que uma plataforma de redes sociais. Apesar das muitas polêmicas que o Facebook tem enfrentado, as autoridades dos Estados Unidos não criaram uma nova e substancial legislação para regular as redes sociais.

A companhia se recuperou de outros escândalos, como o da Cambridge Analytica, uma consultoria britânica que usou dados pessoais de milhões de usuários do Facebook para direcionar anúncios políticos. Neste caso, Zuckerberg foi a Washington se desculpar e a empresa fez um acordo com os reguladores americanos pagar US$ 5 bilhões.


AFP/ Agência Estado/Dom Total



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