Brasil Política

26/10/2021 | domtotal.com

Senador Luis Carlos Heinze, defensor da cloroquina, é indiciado pela CPI da Covid-19

Político do Rio Grande do Sul usou a comissão para espalhar fake news sobre a pandemia

Senador ficou conhecido por defender medicamentos que não têm eficácia contra a doença
Senador ficou conhecido por defender medicamentos que não têm eficácia contra a doença (Pedro França/Agência Senado)

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), membro da CPI da Covid, será indiciado pela comissão. A inclusão de Heinze no relatório final foi aceita pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), após sugestão do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), nesta terça-feira (26).

O anúncio foi feito após a leitura do voto em separado de Heize, que defendeu a atuação do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia, atacou a CPI da Covid e saiu em defesa do chamado tratamento precoce, como fez durante toda duração da CPI.

Em sua manifestação, Vieira afirmou que Heinze deveria ser indiciado pelos menos tipos penais que foram atribuídos a outros parlamentares federais “que da mesma forma, reiteradamente, disseminaram notícias falsas que empacam na vida”, disse.

“Essa CPI teve a coragem de pedir o indiciamento do presidente da República, do líder do governo, não pode fechar os olhos com relação ao comportamento do seu colega parlamentar, senador da República, que repete reiteradamente a mentira como forma de desinformar o cidadão”, disse Vieira.

Membros da Tropa de choque do governo, o senador Eduardo Braga (MDB-PE) e Marcos Rogério (DEM-RO), e pediram que a cúpula do colegiado revisse a decisão. O presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que não colocaria o requerimento em votação no colegiado, porque seria uma decisão de Calheiros acatar ou não. "Essa é uma decisão exclusiva do relator". Calheiros adiantou que acataria a recomendação.

"Pela maneira como, apesar das advertências, o senador Heinze reincidiu aqui todos os dias, apresentando estudos falsos, logo negados pela ciência, e pela maneira como incitou o crime em todos os momentos, eu queria nesta última sessão, dar um presente a vossa excelência. Vossa excelência será o 81º primeiro indiciado dessa CPI", disse Renan.

"São pesquisas que o Ministério Público a Procuradoria Geral da República vai se debruçar. Não são factóides, não são narrativas", disse Heize durante a leitura do voto em separado.

Em reação, o senador Jorginho Mello (PL-RS) sugeriu que Renan também deveria ser incluído na lista de indicados. “O senhor (Renan) também constitui uma narrativa para condenar o presidente Jair Bolsonaro, então o senhor deveria ser indiciado também”, declarou.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator Renan Calheiros protestaram contra a defesa dos medicamentos sem eficácia científica.

81 anos

Renan Calheiros (MDB-AL) leu os nomes de 81 pessoas e empresas com pedidos de indiciamento sugeridos pela CPI. Segundo o relator, o “primeiro indiciado” é  Jair Bolsonaro. A relação traz ainda os nomes de seis ministros ou ex-ministros. São eles: Eduardo Pazuello, Marcelo Queiroga, Onix Lorenzoni, Ernesto Araújo, Wagner Rosário e Walter Braga Netto.

A lista inclui ainda três dos quatro filhos do presidente Jair Bolsonaro: o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado  Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Renan sugere ainda o indiciamento dos deputados federais Bia Kicis (PSL-SP), Carla Zambelli (PSL-SP), Carlos Jordy (PSL-RJ), Osmar Terra (MDB-RS) e Ricardo Barros (PP-PR),

O relator também recomenda o indiciamento de integrantes do gabinete paralelo, como a oncologista da Nise Yamaguchi, e de pessoas suspeitas de disseminar fake news. Entre elas, os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard.

Quebra de sigilos

A CPI também aprovou a quebra do sigilo telemático de Bolsonaro nas redes sociais pela live em que o chefe do Planalto relacionou a vacina contra a Covid-19 à Aids. 

No requerimento, a CPI determina às empresas Google, Facebook e Twitter o envio de dados sigilosos de Bolsonaro nas redes relativos a abril de 2020 até o momento ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Outro requerimento aprovado pede uma investigação pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator do inquérito das fake news.

A declaração de Bolsonaro, mentirosa, levou Facebook, Instagram e Youtube a retirarem do ar o vídeo da transmissão e foi incluída no parecer da CPI. A comissão decidiu ainda acionar a Advocacia do Senado para protocolar uma representação contra Bolsonaro no Supremo e na PGR pedindo uma retratação e a suspensão das contas do presidente nas redes.

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu pedir a responsabilização do presidente Jair Bolsonaro pela declaração da Live. 

"Tal episódio reforça a decisão do Presidente da República de continuar propagando informações falsas, em sua campanha antivacina deletéria para a população brasileira", escreveu Renan. O pedido do relator é que sejam adotadas ações para afastar Bolsonaro de todas as redes sociais, "para a proteção da população brasileira". 

Em entrevista a jornalistas, o relator chamou Bolsonaro de "serial killer que tem compulsão de morte" em função da postura do presidente durante a pandemia.


Dom Total /Agências Estado e Senado



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!