Economia

27/10/2021 | domtotal.com

Com crescimento da informalidade, desemprego cai para 13,7 milhões de brasileiros

País tem 2,387 mi de informais a mais no trimestre e renda tem queda de 10,2%, diz IBGE

O número de pessoas trabalhando por conta própria bateu recorde da série histórica iniciada em 2012
O número de pessoas trabalhando por conta própria bateu recorde da série histórica iniciada em 2012 (Tomaz Silva/ABr)

A taxa de desemprego fechou o trimestre móvel encerrado em agosto em 13,2%, queda de 1,4 ponto percentual na comparação com o trimestre terminado em maio, quando a desocupação ficou em 14,6% da população. No total, 13,7 milhões de pessoas estão desempregadas e 5,3 milhões são consideradas desalentadas, ou seja, brasileiros sem emprego que desistiram de buscar vagas de trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua Mensal, divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.771 no trimestre encerrado em agosto. O resultado representa queda de 10,2% em relação a igual período do ano anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 219,2 bilhões no trimestre até agosto, recuo de 0,7% ante igual período do ano anterior.

O avanço da ocupação, com geração de vagas tanto formais quanto informais, foi um destaque do mercado de trabalho no trimestre. Mas os dados do IBGE mostram que a recuperação foi puxada pela informalidade. Das 3,480 milhões de vagas criadas em um trimestre, 2,387 milhões foram em ocupações tidas como informais. Já dos 8,522 milhões de postos gerados na comparação como trimestre móvel terminado em agosto de 2020, 6,056 milhões são em ocupações informais, segundo o IBGE.

"É nítido que o que realmente contribuiu para a expansão da ocupação são os trabalhadores informais", afirmou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Com o crescimento do trabalho informal, o país alcançou uma taxa de informalidade de 41,1% no mercado de trabalho no trimestre móvel até agosto, com 37,099 milhões de trabalhadores atuando informalmente. Ainda assim, esse contingente está abaixo dos níveis pré-pandemia. O auge desse contingente foi registrado em fins de 2019, quando o total de informais estava em torno de 38,8 milhões.

No grupo de ocupações tipicamente associadas à informalidade, 10,791 milhões de trabalhadores atuavam no setor privado sem carteira assinada, 987 mil a mais que no trimestre móvel imediatamente anterior, uma alta de 10,1%. Em relação ao trimestre até agosto de 2020, foram criadas 2,036 milhões de vagas sem carteira no setor privado, um salto de 23,3%.

Trabalho porcontra própria

Já o trabalho por conta própria, majoritariamente informal, ganhou 1,036 milhão de pessoas em um trimestre. Em relação ao patamar de um ano antes, há 3,888 milhões de trabalhadores por conta própria a mais, totalizando 25,409 milhões de pessoas, o recorde absoluto da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, mesmo considerando todos os trimestres móveis mês a mês.

Na comparação com o trimestre terminado em maio de 2021, a população desocupada caiu 7,7%, ficando em 13,7 milhões de pessoas e ficou estável na comparação anual. Já a população ocupada cresceu 4%, alcançando 90,2 milhões de pessoas na comparação trimestral. Em relação a agosto do ano passado, o aumento foi 10,4%, ou mais 8,5 milhões de pessoas. Apesar da melhora no resultado, faltou trabalho para 31,135 milhões de pessoas no país no trimestre terminado em agosto de 2021. Diante desse contingente, a taxa composta de subutilização da força de trabalho passou de 29,3% no trimestre até maio para 27,4% no trimestre até agosto.

O total de trabalhadores com carteira assinada ficou em 31,039 milhões de pessoas no trimestre móvel, conforme o IBGE. A variação da população ocupada nessas condições aponta para a criação de 1,241 milhão de vagas no setor privado com carteira em um trimestre, avanço de 4,2% ante o trimestre móvel encerrado em maio. Na comparação com um ano antes, são 1,972 milhão de trabalhadores com carteira assinada a mais, alta de 6,8%.

Comércio contrata 1,680 milhão

O comércio foi destaque na geração de vagas de trabalho, entre formais e informais, no trimestre móvel encerrado em agosto, segundo os dados Pnad Contínua. No intervalo de um ano, na comparação do trimestre móvel encerrado em agosto com igual período de 2020, foram 1,680 milhão de vagas a mais. Na comparação com o trimestre móvel anterior, foram 1,217 milhão de postos de trabalho a mais.

Ainda em relação ao patamar de um ano antes, no trimestre houve ganhos de postos nas atividades de construção civil (1,349 milhão), informação, comunicação e atividades financeiras (881 mil a mais), alojamento e alimentação (886 mil) e outros serviços (306 mil). A agricultura ganhou 759 mil trabalhadores, enquanto a indústria em geral adicionou 991 mil postos. Transporte, armazenagem e correio geraram 522 mil vagas.

Na comparação com o trimestre móvel imediatamente anterior, o contingente de trabalhadores na construção civil cresceu em 620 mil. Também houve contratações na indústria (578 mil), alojamento e alimentação (424 mil), agricultura, pecuária, produção florestal pesca e aquicultura (217 mil). A atividade informação, comunicação e atividades financeiras fechou 40 mil vagas. Também na contramão, a administração pública fechou 367 mil postos em um trimestre. Na comparação com um ano antes, porém, a atividade aponta geração de 115 mil vagas.

Metodologia

Os dados são diferentes, tanto em termos de metodologia quanto de período de referência, das informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), registro administrativo de responsabilidade do Ministério da Economia, divulgadas na terça-feira, 26.

Conforme o saldo de demissões e admissões do Caged, foram criadas 368.091 vagas de emprego formal em setembro, no mês seguinte ao trimestre móvel referente à Pnad Contínua divulgada nesta quarta-feira. No acumulado até setembro de 2021, o saldo do Caged aponta para a criação de 2,513 milhões de vagas.

Nos nove primeiros meses do ano passado, sob os efeitos iniciais da pandemia de Covid-19, foram extintos 558.597 empregos formais.


Agência Estado/Agência Brasil/Dom Total



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