Religião

29/10/2021 | domtotal.com

Antes da Cúpula do G20, Joe Biden se reúne com papa Francisco em Roma

Presidente norte-americano compartilha com o pontífice posições sobre meio ambiente, pobreza e pandemia

Joe Biden em encontro com papa Francisco no Vaticano, em abril de 2016
Joe Biden em encontro com papa Francisco no Vaticano, em abril de 2016 (Vatican News)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a Roma na madrugada desta sexta-feira (29) para seu primeiro encontro com o papa Francisco em seu cargo atual, na véspera de uma cúpula do G20 na capital italiana.

Antes de partir, Biden apresentou em Washington um plano "histórico" de bilhões de dólares em gastos com infraestrutura, transição energética e benefícios sociais. O presidente americano esperava chegar a Roma com a votação final do Congresso, mas terá de esperar, em meio às dissidências de seu próprio Partido Democrata.

Em Roma, Biden iniciará sua agenda com um encontro com o papa, com quem compartilha posições sobre meio ambiente, pobreza e pandemia, e com quem se reuniu três vezes como vice-presidente do governo Barack Obama.

A reunião será na biblioteca particular do Palácio Apostólico, ao meio-dia local (7h no horário de Brasília), na véspera da cúpula de dois dias em Roma com os chefes de Estado e de Governo das 20 maiores economias do mundo, o G20. Na sequência, Biden embarca rumo a Glasgow, no Reino Unido, onde participa da importante COP26, a cúpula sobre o clima promovida pela ONU.

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De acordo com um comunicado da Casa Branca, o chefe da Igreja Católica e o presidente americano "discutirão como trabalhar juntos em iniciativas baseadas no respeito da dignidade humana fundamental, incluindo a eliminação da pandemia da Covid-19, a luta contra o clima e compaixão pelos pobres".

Será um encontro "caloroso", antecipou sua porta-voz, Jen Psaki, na quarta-feira. Ela lembrou que o presidente, um católico fervoroso, "encontrou força em sua fé", diante das tragédias de sua vida: a morte acidental de sua primeira esposa e filha e, em seguida, a morte de seu filho Beau de câncer.

Biden, que viaja acompanhado de sua segunda mulher, Jill, quase nunca perde a missa dominical, e suas posições sobre alguns assuntos se aproximam mais das do papa argentino do que as de seu antecessor Donald Trump.

Depois do encontro com o papa, Joe Biden se reúne com o chefe do governo italiano, Mario Draghi, anfitrião da cúpula do G20 e ex-presidente do Banco Central Europeu, que desperta muita curiosidade nos Estados Unidos por seus projetos de reforma.

Para Biden, que perdeu popularidade desde sua eleição, o G20, assim como a grande cúpula da COP26 em Glasgow, na Escócia, são oportunidades para relançar sua imagem e enterrar definitivamente a era Trump.

Também nesta sexta-feira, ele se reunirá em particular, em Roma, com o presidente francês, Emmanuel Macron, na tentativa de virar a página da grave crise relacionada com os contratos de submarinos ocorrida em meados de setembro e selar a reconciliação. Esse assunto e a retirada caótica do Afeganistão pesam na aura de Biden, que repete que "a América está de volta" à cena internacional.

Biden e Igreja Católica

Apesar de Biden ser o segundo presidente católico dos Estados Unidos, depois de John F. Kennedy (1961-1963), a profundamente dividida Igreja Católica americana começou uma ofensiva para privar da comunhão os líderes políticos que apoiam o aborto, entre eles o próprio Biden.

Em janeiro, o papa Francisco enviou uma mensagem para a tomada de posse do chefe de Estado norte-americano, pedindo atenção aos pobres e aos que "não têm voz" na sociedade.

"Num tempo em que graves crises enfrentadas pela nossa família humana pedem respostas unidas e de longo alcance, rezo para as que suas decisões sejam guiadas por uma preocupação pela construção de uma sociedade marcada pela autêntica justiça e liberdade, ao lado do incansável respeito pelos direitos e dignidade de cada pessoa, especialmente dos pobres, dos vulneráveis e daqueles que não tem voz", escreveu Francisco.

A 15 de setembro, no final da sua viagem à Hungria e Eslováquia, o papa foi questionando sobre a posição de bispos dos EUA que bispos que querem negar a comunhão ao presidente Biden e outros responsáveis que apoiaram leis favoráveis ao aborto, tendo rejeitado qualquer aproveitamento político nesta matéria.

"O problema não é teológico, que é simples, mas é pastoral, como é que nós bispos administramos pastoralmente este princípio. Se olharmos para a história da Igreja, veremos que sempre que os bispos não administraram um problema como pastores, posicionaram-se do lado político", precisou.

Francisco sublinhou que os bispos devem adotar uma abordagem pastoral, sublinhando que, desde a concepção, está em causa "uma vida humana".


AFP/Agencia Ecclesia/Dom Total



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