Meio Ambiente

06/11/2021 | domtotal.com

Amazônia, maior floresta tropical do mundo, um paraíso quase perdido

Mata vem sendo derrubada e depois queimada para abrir caminho para estradas, garimpos de ouro, cultivos e fazendas de criação de gado

Vista aérea mostrando uma área desmatada da floresta amazônica em Lábrea, estado do Amazonas, em setembro de 2021
Vista aérea mostrando uma área desmatada da floresta amazônica em Lábrea, estado do Amazonas, em setembro de 2021 Foto (Mauro Pimentel/AFP)

Vista do céu, a Amazônia é uma imensidão de um verde profundo, onde a vida explode em cada superfície, cortada apenas por rios sinuosos.

Uma imensidão, por enquanto.

Prosseguindo o sobrevoo em direção aos confins da maior floresta tropical do mundo, chega-se a gigantescas cicatrizes marrons, onde a mata é derrubada e depois queimada para abrir caminho para estradas, garimpos de ouro, cultivos e fazendas de criação de gado.

São os famosos "arcos do desmatamento", que sulcam canais através da América do Sul - uma catástrofe para o nosso planeta.

Até recentemente, graças à sua vegetação exuberante e ao milagre da fotossíntese, a bacia amazônica absorvia grandes volumes das crescentes emissões de carbono da atmosfera, freando o pesadelo das mudanças climáticas antes de se tornarem incontroláveis.

Mas estudos mostram que a Amazônia se aproxima do "ponto de inflexão", que a verá se transformar em savana, com a morte de suas 390 bilhões de árvores, uma depois da outra.

Atualmente, a destruição se acelera, sobretudo desde que o presidente Jair Bolsonaro, um cético do aquecimento global, chegou ao poder em janeiro de 2019. Ele quer abrir as terras protegidas ao agronegócio e à mineração nos 61% da Amazônia localizada em território brasileiro.

A destruição também está em andamento para o viveiro extremamente rico de espécies interdependentes - mais de três milhões catalogadas - entre elas o emblemático gavião-real e a majestosa onça.

Os povos indígenas, guardiões da floresta graças a suas tradições milenares, sofrem ainda com incursões violentas de garimpeiros em seus territórios.

Mas a catástrofe não vai parar aí. Se a Amazônia atingir o "ponto de inflexão", em vez de limitar o aquecimento global, ela irá acelerá-lo bruscamente, liberando na atmosfera uma década de emissões de carbono.

"Nós estamos matando a Amazônia", diz Luciana Gatti, química atmosférica.

"Hoje a floresta já é fonte (de carbono), muito antes do que se imaginava que isso aconteceria. Aquele cenário horrível vai chegar muito mais cedo", lamenta.

Em muitos aspectos, trata-se de uma história de terror: sujeitos violentos com chapéus de caubói exploram uma região sem lei, aproveitando-se da corrupção política e de irregularidades maciças para enriquecer.

Mas é também uma história da Humanidade: nossa relação com a natureza, nosso apetite insaciável, nossa incapacidade de nos determos antes que seja tarde demais.

Pois o ouro, a madeira, a soja, o gado que destroem a Amazônia têm a ver com a oferta e a demanda mundiais.

Os produtos que asfixiam a Amazônia podem ser encontrados nos lares de todo o mundo.


AFP



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