Cultura

11/11/2021 | domtotal.com

O corpo é meu

Livro fala de abuso sexual com crianças com tato e doçura

As ilustrações do livro são deVeridiana Scarpelli
As ilustrações do livro são deVeridiana Scarpelli (Divulgação)

Ricardo Soares*

Num país onde a delicadeza está perdida mas por sorte não está extinta é um verdadeiro alento chegar a todos nós um livro como "O corpo é meu, ninguém põe a mão" escrito pela jornalista Denise Natale e pela juíza Tatiane Moreira Lima (ilustrações de Veridiana Scarpelli) que trata de um assunto espinhoso e difícil com a tal "delicadeza". Afinal, convenhamos, falar de abuso sexual com crianças com tato e doçura é um desafio e tanto. E as autoras conseguem com méritos tal intento.

O livro conta a história de Estrela, uma gata que teve o apoio dos pais e da escola para superar a difícil situação que enfrentou. Sim, é um livro para crianças mas que deixa sutil recado e advertências para os adultos.

Denise, na divulgação do livro pergunta :"Por que falar sobre abuso sexual com as crianças?" E ela mesmo, responde : "Há algum tempo, lendo uma matéria sobre o tema, fiquei chocada e me senti impotente diante dessa situação alarmante das crianças brasileiras. Aí tive a ideia de escrever um livro infantil para tentar, de alguma maneira, prevenir tantos casos. Dividi esse desafio com a juíza Tatiane Moreira Lima, que conhece bem o assunto, ela julga casos de violência contra crianças, adolescentes e mulheres. As ilustrações da Veridiana Scarpelli captaram muito bem todo esse drama que envolve o abuso. Deu muito trabalho, mas valeu (...) Tomara que vocês gostem".

Eu gostei e muito e recomendo com entusiasmo porque é raro um livro infanto-juvenil se debruçar sobre assunto tão dificil com tamanha doçura ao contar as agruras da gatinha Estrela que se vê cercada pelos ardis do raposão Lupi Lantra ( amigo de seu pai) que usa de todo tipo de chantagens a partir de um aparente, inicial e inocente convite para que Estrela visite sua casa para jogar vídeo- game. Não vou contar o fim da historinha mas apresento-lhes também outro precioso personagem embutido no desfecho da história : o diretor de polícia, doutor Leôncio Leão.

À guisa das fábulas de Esopo as autoras situaram a ação no reino universal dos animais que falam e antes de que isso pareça um recurso esgotado "O Corpo é meu" dá outros ares e bagagens ao truque quando situa a história exatamente nesse reino imaginário presente no inconsciente coletivo. É tão saboroso que não me constranjo em fazer propaganda explicita do livro e os convido a acessar o endereço eletrônico onde se acha o lançamento para compra e/ou afago nas autoras. Basta acessar o site da editora Papagaio.

Diante de tanto lançamento ruim na área da literatura infanto-juvenil brasileira com toda sorte de oportunismos e estultices "O Corpo é meu, ninguém põe a mão" nasce como um pequeno clássico, Que tenha uma linda trajetória.

*Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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