Religião

21/11/2021 | domtotal.com

Igrejas destruídas pelo grupo EI são restauradas em Mossul

Reforma das duas igrejas foi custeada pelo Departamento de Estado americano e uma ONG cristã

Vista aérea do mosteiro caldeu de São Jorge em Mossul, cujas igrejas estavam entre os pelo menos 14 templos destruídos pelos jihadistas na província iraquiana de Nínive
Vista aérea do mosteiro caldeu de São Jorge em Mossul, cujas igrejas estavam entre os pelo menos 14 templos destruídos pelos jihadistas na província iraquiana de Nínive (Zaid AL-OBEIDI/AFP)

O mosteiro de São Jorge, na cidade iraquiana de Mossul, celebrou nesta sexta-feira (19) a restauração de suas duas igrejas com uma cerimônia marcada pela liturgia do rito caldeu e orações, seis anos depois de os jihadistas terem destruído os templos.

Dezenas de pessoas estiveram em uma das duas igrejas, reconstruídas com pedra. Alguns fiéis dirigiram-se até lá de regiões vizinhas do norte do Iraque, comprovou um correspondente da AFP.

O clero da Igreja Católica caldeia, vestindo o hábito cerimonial branco e dourado, ricamente decorado, entoou preces em árabe, ao som de címbalos e dos cânticos litúrgicos na língua da comunidade.

"Temos velhas lembranças neste mosteiro", declarou, emocionado, Maan Bassem Ajjaj, funcionário de 53 anos residente em Erbil, capital do Curdistão iraquiano. "Meu filho e minha filha foram batizados aqui. Toda sexta-feira, as famílias cristãs de Mossul se reuniam aqui".

A reforma das duas igrejas foi custeada pelo Departamento de Estado americano e uma ONG cristã, A Obra do Oriente, explicou o padre Samer Yohanna.

Mas ainda restam algumas partes do mosteiro a restaurar. Arrasado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em 2015, o edifício ficou 70% destruído, segundo o padre Yohanna.

"Podemos ver algumas paredes que continuam de pé, mas estão deterioradas e é preciso reforçá-las", explicou.

No claustro, em uma reprodução mural que representa São Jorge matando o dragão, as faces foram destruídas pelos jihadistas. No cemitério vizinho, há apenas uma lápide de pé, quase de forma milagrosa, entre escombros e montes de pedra.

Os jihadistas do grupo EI fizeram de Mossul sua "capital" no Iraque, depois de conquistá-la em 2014. Eles foram expulsos dali em 2017 pelo exército iraquiano e uma coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

A chegada dos jihadistas forçou milhares de cristãos a deixarem Mossul e a província de Nínive, que antigamente contavam com uma importante população cristã.

A comunidade cristã do país era de 1,5 milhão de pessoas antes da guerra, mas agora há apenas cerca de 400.000.


AFP



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