Cultura

26/11/2021 | domtotal.com

'Bahia com h'

Arquitetura de amor e devoção recíproca

Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição Foto (Eleonora Santa Rosa)
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição Foto (Eleonora Santa Rosa)
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição Foto (Eleonora Santa Rosa)
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Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição Foto (Eleonora Santa Rosa)
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Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição
Revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição Foto (Eleonora Santa Rosa)

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Eleonora Santa Rosa*

Saída de um périplo intenso em Salvador, abrangendo, sobretudo, a revisita a lugares de afeição e a descoberta de novos espaços de eleição, terminei a maratona a que me propus, impactada, positivamente, e muito impressionada com o que vi e ouvi.

Ausente da capital baiana há algum tempo, cabe-me ressaltar que fui muito presente por décadas, em períodos de descanso. Portanto, muito do que visitei agora remeteu-me às antigas temporadas, quando impressionava-me o desleixo, a letargia na restauração de edificações, o descaso mesmo com a história, com seus monumentos, com sua tradição não só de pedra e cal como também com seu patrimônio imaterial, este, sim, sabiamente sobrevivido e perpetuado pela força de seu povo, de sua religiosidade, de seu canto, de seu Candomblé, de sua música.

Nesse sentido, tive imensa alegria ao chegar ao Terreiro de Jesus e visitar os monumentos religiosos devidamente restaurados, ver seu entorno em pleno processo de recuperação e ebulição, constatar a instalação de novos equipamentos culturais na região, já referenciais, como a Casa do Carnaval, e, de 'brinde', assistir à realização da Flipelô e a reabertura da sede da Fundação Casa de Jorge Amado, fechada durante a Pandemia.

Muito surpreendida fiquei com o ritmo das obras, o burburinho, a vitalidade expressa em todos os lados e ladeiras do resiliente Pelourinho. Notas dissonantes: o péssimo estado de conservação do prédio da Biblioteca da Escola de Medicina, há décadas, e o ar largado da outrora potentíssima Casa do Benin, que frequentei, e cuja restauração, na década de 80, foi projeto de Lina Bo Bardi, genial, como sempre.

Música por todos lados e ladeiras, vida ativa impregnada nas ruas e casas, muitas ainda em condições de extrema precariedade convivendo com tantas outras em estágio final de recomposição. Cores fortes em cenário de beleza contrastante, em tonalidades de céu e mar acachapantes.

Do circuito de fé e devoção, de Santa Dulce dos Pobres ao Bonfim, voltando pela Feira de São Joaquim, pelo Mercado Modelo, onde ainda persiste a triste cratera no lugar da famosíssima escultura de Mário Cravo, destruída por um incêndio, até a imponente Conceição da Praia, linda, com direito à missa. Ao final da tarde, a sensação de muita história para um país cada vez mais encolhido e entristecido.

Ponto alto dessa temporada intensa foi a visita ao antigo Solar dos Azulejos, agora transformado na sede da Cidade da Música da Bahia, cuja curadoria coube aos queridos Antônio Risério e Gringo Cardia, que acertaram a mão e o compasso num equipamento eminentemente contemporâneo, com conteúdos extraordinários. Uma explosão de sonoridades e histórias encadeadas por meio de depoimentos incríveis, com personagens únicos, relatos de força e crença na potência da música, da ancestralidade africana e da resistência e inventividade de seus luminares e milhares de personagens anônimos. Um dia é pouco para tanta informação. Espaço fadado a expansão e desdobramentos, desponta como um dos marcos da Salvador contemporânea, global, do novo mundo. Em breve, ao seu lado, surgirá a Casa das Histórias, outra iniciativa a ganhar projeção e relevância nesses novos tempos.

Por fim, a revisita ao Solar do Unhão, de Dona Lina, simplesmente extraordinário. Restaurado, repleto de visitantes e muito bem cuidado em área de excepcional beleza paisagística, foi um verdadeiro bálsamo para os olhos e para o espírito.

Rumo do aeroporto, a última parada, o fechamento do périplo, o encontro marcado com Jorge Amado e Zélia Gattai, na casa do Rio Vermelho, transformada, pela sensibilidade e competência de Gringo Cardia, num memorial de afeto e de literatura expandida do casal. Gringo conseguiu não só manter a aura do espaço como também reverberar o legado dos escritores em museografia sensível, apurada, composta por fotos, roupas, livros, documentos, quadros, esculturas, enfim, uma miríade de objetos, cujo percurso culmina no jardim que circunda a morada e onde se encontram as cinzas de um dos mais queridos casais da cultura brasileira. Arquitetura de amor e devoção recíproca. Imperdível!

*Eleonora Santa Rosa - Ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, ex-presidente do Conselho do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA, instituiu em sua gestão o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais - CONEP. Implantou a primeira fase do Circuito Cultural da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e foi diretora executiva do Museu de Arte do Rio - MAR. Concebeu e implementou inúmeras ações e iniciativas referenciais no campo do Patrimônio Cultural, da Educação Patrimonial e de museus. Gestora, consultora e estrategista da área da Cultura, é autora de diversos artigos e do livro Interstício.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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