Meio Ambiente

29/11/2021 | domtotal.com

Estudo mostra que clima foi 'decisivo' em incêndios que arrasaram a Austrália nos últimos anos

Especialistas estudaram vários fatores de risco de incêndio, como a quantidade de vegetação morta e as condições meteorológicas quando o incêndio começou

Os pesquisadores da agência pública CSIRO analisaram 90 anos de dados e concluíram que a mudança climática é o principal fator que provocou incêndios como os que arrasaram a Austrália entre 2019 e 2020
Os pesquisadores da agência pública CSIRO analisaram 90 anos de dados e concluíram que a mudança climática é o principal fator que provocou incêndios como os que arrasaram a Austrália entre 2019 e 2020 (Evan COLLIS/AFP)

A mudança climática foi o "fator decisivo" que provocou incêndios mais intensos na Austrália nos últimos anos, destacaram cientistas do governo australiano, em um relatório que contradiz as explicações do Executivo.

Os pesquisadores da agência pública CSIRO analisaram 90 anos de dados e concluíram que a mudança climática foi o principal fator que provocou incêndios como os que arrasaram a Austrália entre 2019 e 2020.

Os especialistas estudaram vários fatores de risco de incêndio, como a quantidade de vegetação morta no solo, a umidade e as condições meteorológicas quando o incêndio começou, para tentar saber o que pode ter provocado essas chamas imensas. "O clima foi o fator decisivo na atividade do fogo", enfatizou o responsável de pesquisa sobre o clima em CSIRO, Pep Canadell. Os resultados do estudo foram publicados na última edição da revista científica Nature, em 26 de novembro.

O governo australiano minimiza o peso da mudança climática nos incêndios de 2019-2020, que destruíram a costa do sudeste e envolveram grandes cidades, como Sydney, em uma espessa nuvem de fumaça.

O primeiro-ministro Scott Morrison insiste que os incêndios são comuns na Austrália, atribuindo sua origem à falta de clareira - área com pouca vegetação em uma floresta.

Os fenômenos atmosféricos como El Niño e La Niña podem influenciar nas alterações de intensidade dos incêndios de um ano para o outro, mas os pesquisadores comprovaram que nove dos onze anos em que mais de 500.000 km2 queimaram ocorreram a partir do ano 2000, quando o aquecimento do planeta acelerou.

Estabeleceram também uma relação entre esses fatos e "condições meteorológicas cada vez mais perigosas e favoráveis ao fogo".

O estudo aponta que a superfície queimada aumentou 800% nos últimos 20 anos no país em relação às décadas anteriores.

Nos últimos anos, a Austrália enfrentou uma série considerável de secas, incêndios e inundações graves. O governo australiano se recusou a estabelecer uma meta de redução das emissões a curto prazo e continua sendo um dos maiores exportadores de gás e carvão.


AFP



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