Religião

29/11/2021 | domtotal.com

Papa inicia preparação para o Natal com apelo pelos migrantes

Francisco evoca crise no Canal da Mancha, Bielorrússia e Mediterrâneo

Após a oração mariana do Angelus, papa lança apelo para ajudar a aliviar o sofrimento dos migrantes que estão expostos a 'perigos gravíssimos'
Após a oração mariana do Angelus, papa lança apelo para ajudar a aliviar o sofrimento dos migrantes que estão expostos a 'perigos gravíssimos' (Reprodução/Vatican Media)

O papa assinalou neste domingo (28) no Vaticano o primeiro domingo do Advento, o tempo litúrgico de "preparação para o Natal" no calendário católico, pedindo centralidade para a oração, nas próximas semanas.

"Mesmo nos dias mais movimentados, não negligenciemos a oração", disse aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a recitação do ângelus, já com a árvore de Natal instalada no local.

Francisco recomendou aos presentes que façam uma "oração do coração", repetindo invocações curtas ao longo do dia, como "Vem, Senhor Jesus!".

"Pensemos no presépio, pensemos no Natal e digamos, no coração, ‘Vem Senhor Jesus. Vem!’. Repitamos esta oração, ao longo do dia, e a alma ficará vigilante", declarou.

O papa considerou que a oração é um "ingrediente essencial" para manter o coração vigilante.

"É a oração que mantém acesa a lâmpada do coração. Principalmente quando sentimos que o entusiasmo perde calor, a oração reacende-o, porque nos leva de volta a Deus, ao centro das coisas", precisou.

A reflexão começou por sublinhar uma das dimensões centrais do Advento, a espera, a vigilância.

"Estar vigilante significa isto: não permitir que o coração se torne preguiçoso e a vida espiritual se amoleça na mediocridade. Prestemos atenção, porque é possível ser um ‘cristão adormecido’", alertou.

Francisco questionou uma fé vivida "sem entusiasmo pela missão, sem paixão pelo Evangelho", que leva as pessoas a "cair na apatia".

"Esta é uma vida triste, não traz felicidade", observou.

"Hoje é uma boa ocasião para nos perguntarmos: o que oprime o meu coração, o meu espírito? O que me faz sentar na poltrona da preguiça? É triste ver cristãos de sofá".

No final do encontro de oração, o papa deixou uma saudação aos vários grupos de peregrinos, incluindo fiéis de Timor-Leste e de Lisboa.

"Um bom domingo e um bom caminho de Advento, um bom caminho para o Natal, para o Senhor", desejou.

Apelo pelos migrantes

Após a recitação da oração do ângelus, o papa condenou as mortes de migrantes às portas da Europa, evocando as crises no Canal da Mancha, Bielorrússia e Mediterrâneo para pedir o fim de qualquer "instrumentalização" desta situação.

"Renovo o meu forte apelo aos que podem contribuir na solução destes problemas, em particular às autoridades civis e militares, a fim de que a compreensão e o diálogo prevaleçam, finalmente, sobre qualquer tipo de instrumentalização, orientando vontades e esforços para soluções que respeitem a humanidade destas pessoas", referiu, desde a janela do apartamento pontifício.

"Quantos migrantes, pensemos nisto, quantos migrantes estão expostos, também nestes dias, a perigos gravíssimos. Quantos perdem a vida nas nossas fronteiras", lamentou.

O papa manifestou a sua "dor" perante as notícias sobre a situação em que se encontram muitos migrantes, recordando "os que morreram no Canal da Mancha, na fronteira da Bielorrússia – muitos dos quais são crianças – os que se afogam no Mediterrâneo".

"Tanta dor, pensando neles", acrescentou.

Um naufrágio ocorrido na última quarta-feira causou a morte a 27 migrantes, o mais mortal desde o aumento, em 2018, das travessias irregulares migratórias do Canal da Mancha, que liga França ao Reino Unido.

Já na fronteira da Bielorrússia com a Polónia, dezenas de migrantes perderam a vida numa crise com contornos políticos, face às sanções impostas pela União Europeia, que não reconhece a reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

Francisco recordou ainda a situação no norte de África, com migrantes "capturados pelos traficantes, que os fazem escravos".

"Vendem as mulheres, torturam os homens", advertiu.

A intervenção evocou "os que, também nesta semana, tentaram atravessar o Mediterrâneo, procurando uma terra de bem-estar e encontrando, pelo contrário, um túmulo".

Pelo menos 75 migrantes morreram junto à costa da Líbia, na sequência do naufrágio do barco em que tentavam atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa, informou a Organização Internacional de Migração (OIM), no último dia 20.

"Aos migrantes que se encontram nestas situações de crise, asseguro a minha oração, também o meu coração: sabei que estou próximo de vós. Rezar e fazer. Agradeço a todas as instituições, católicas e outras, especialmente as Cáritas nacionais e todos os que estão empenhados para aliviar estes sofrimentos", assinalou o papa.

Francisco convidou os presentes a pensar nos "sofrimentos" destes migrantes e a rezar em silêncio, por eles.

O papa revelou que se encontrou, este sábado, com membros de associações e grupos de migrantes e de pessoas que, "em espírito de fraternidade, partilham a sua caminhada", presentes na Praça de São Pedro com uma bandeira alusiva.

"Bem-vindos", disse.


Ecclesia/DomTotal



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