Brasil

01/12/2021 | domtotal.com

Bolsonaro volta ao Centrão e filia-se ao PL de olho em 2022

Presidente formaliza união com partido de Valdemar Costa Neto, que esteve envolvido no escândalo do Mensalão

Presidente busca usar força da legenda para diminuir desvantagem nas pesquisas
Presidente busca usar força da legenda para diminuir desvantagem nas pesquisas (DW)
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Jair Bolsonaro filiou-se nesta terça-feira (30/11) ao Partido Liberal (PL), pelo qual concorrerá à reeleição em 2022. Filiaram-se também à legenda o filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (RJ), que deixa o Patriota, e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

A cerimônia foi realizada em Brasília, com a presença de diversos ministros e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Em seu discurso, Bolsonaro disse que a decisão de se filiar à sigla "não foi fácil", mas que agora eles seriam "como uma família", e ressaltou que ele e o partido tinham "uma semelhança muito grande".

O plano de Bolsonaro e do PL é usar a força do governo para fortalecer o partido e aumentar as suas chances de reeleição em 2022. A legenda tem hoje 43 deputados e é a terceira maior bancada da Câmara, além de cinco senadores – já incluindo Flávio Bolsonaro –, a oitava maior bancada no Senado.

O PL tentará agora atrair deputados e senadores fiéis a Bolsonaro que estão filiados a outras legendas, e sonha em se tornar a maior bancada da Câmara no ano que vem. Outros ministros do governo também estudam migrar para o PL nos próximos meses e disputarem cadeiras de governador ou de senador. O partido tem no governo federal hoje a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda.

Bolsonaro estava sem legenda há dois anos, quando deixou o PSL por conflitos internos. Em seguida, o presidente tentou criar o seu próprio partido, o Aliança Pelo Brasil, mas a iniciativa não conseguiu reunir o número necessário de assinaturas para obter o registro de partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

O evento de filiação ao PL estava previsto para ocorrer inicialmente em 22 de novembro, mas Bolsonaro recuou e pressionou por mais espaço para indicar os candidatos a governador da legenda e vetar alianças regionais com partidos de esquerda, no que foi atendido.

Retorno ao Centrão

O PL é um partido do Centrão, grupo de legendas sem bandeiras ideológicas definidas que se aproxima de governantes em busca de cargos e verbas para bases eleitorais e grupos de interesse.

O presidente do PL é Valdemar Costa Neto, que foi condenado e preso no mensalão. A legenda apoiava o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tinha entre seus filiados até 2005 o vice-presidente José Alencar.

O ato de filiação desta terça aprofunda o vínculo do presidente com o Centrão, que vinha se ampliando desde meados de 2020. O presidente foi eleito em 2018 com críticas a esse grupo de partidos, que ele chamava de "velha política", e no início do governo montou sua equipe com apoiadores sem vínculos partidários e militares da ativa e da reserva, na expectativa que seu apoio popular o ajudasse a garantir a governabilidade.

Esse esquema funcionou no início do mandato, quando o Legislativo, por iniciativa própria, se empenhou em aprovar pautas como a reforma da Previdência. Em 2020, desgastado pela atuação do governo na pandemia e enfrentando dificuldades crescentes com o Legislativo, Bolsonaro começou a abrir espaço no governo para políticos que tinham diálogo no Congresso.

No início de 2021, pela primeira vez deu o comando de um ministério a um membro do Centrão, quando João Roma (Republicanos) assumiu a pasta da Cidadania. Depois Flávia Arruda chegou à Secretaria de Governo, e em julho Ciro Nogueira, do PP, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil , gesto que o próprio presidente definiu como entregar a "alma do governo" ao Centrão.

O próprio Bolsonaro já integrava o Centrão antes de ser eleito para o Palácio do Planalto, e o PL é seu nono partido em 32 anos de carreira política. De 2005 a 2016, o presidente era filiado ao PP, hoje o maior partido do Centrão.

Corrida para 2022

A aproximação de Bolsonaro com esse grupo de legendas funcionou para evitar a abertura de um processo de impeachment e garantir que ele chegue ao fim de seu mandato. É incerto, porém, o impacto da união com o Centrão nas chances eleitorais do presidente em 2022.

Um dos motivos é a alta rejeição a Bolsonaro. Pesquisa realizada pelo PoderData em 22 a 24 de novembro indicou que apenas 22% dos entrevistados avaliam o governo como bom ou ótimo, o menor percentual desde o início do mandato. Por outro lado, 57% consideram seu governo ruim ou péssimo.

Se as eleições fossem hoje, Bolsonaro teria no primeiro turno 29% das intenções de voto, contra 34% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. No segundo turno, Lula venceria com 54% contra 31% de Bolsonaro.

Outro motivo são os interesses eleitorais dessas legendas, que podem preferir evitar se aliar a candidatos sem chance de vitória. Se as pesquisas mostrarem que Bolsonaro pode ficar de fora do segundo turno, a depender da performance de nomes como João Doria (PSDB) e Sergio Moro (Podemos), lideranças do Centrão podem aderir a outras candidaturas ou mesmo se aproximar de Lula.

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