Religião

03/12/2021 | domtotal.com

Sínodo acende uma nova forma de ser Igreja

"Este não é um projeto que tem começo e fim. Esta é uma tentativa de sermos uma nova forma de ser Igreja".

Sínodo abre 'uma nova forma de ser igreja'. Os bispos entram na Catedral de Santa Maria e Santa Ana, em Cork.
Sínodo abre 'uma nova forma de ser igreja'. Os bispos entram na Catedral de Santa Maria e Santa Ana, em Cork. (Foto CNS/Cillian Kelly)

Sarah Mac Donald*
The Tablet

A Dra. Nicola Brady, presidente do processo sinodal irlandês, enfatizou que o Sínodo foi um "processo de transformação de longo prazo".

Se o processo sinodal for feito de maneira adequada, as mulheres serão fundamentais para a jornada e isso mudará a forma como as paróquias funcionam, disse a teóloga Dra. Clare Watkins.

Falando no webinar inaugural do The Tablet's Synod Watch intitulado Uma Igreja Sinodal: O caminho começa, a professora de eclesiologia e teologia pastoral da Universidade de Roehampton disse que através do processo sinodal "há um espaço se abrindo, não apenas para as mulheres, mas para que todos os tipos de identidades marginais dentro da Igreja encontrem uma voz".

Sobre a centralidade do discernimento comunitário e da escuta do processo sinodal e do potencial para criar um tipo diferente de Igreja, a Dra. Watkins sugeriu que o clericalismo era uma das coisas que a sinodalidade tinha que quebrar.

No entanto, Watkins alertou que apresentar a sinodalidade como um processo de tomada de decisão seria interpretá-la mal e poderia criar "expectativas nada úteis sobre o que pode realmente acontecer".

A outra palestrante no webinar, a Dra. Nicola Brady, presidente do Comitê de Direção Sinodal do Caminho Sinodal da Igreja Católica Irlandesa, disse que o processo de reforma sinodal foi "um momento único" e urgente.

"Essa opinião é amplamente defendida e as pessoas vêm pedindo isso há muitos anos", disse, especialmente depois dos escândalos de abusos na Igreja.

Brady apontou no webinar, que havia "um consenso muito forte em todo o grupo, desde bispos e pessoas nas paróquias, até pessoas que trabalham em organizações baseadas na fé", de que o sínodo estava abrindo "uma nova maneira de ser Igreja".

"Isso realmente tem que ser sobre um processo de transformação de longo prazo que nos leva a um lugar muito mais relacional como uma Igreja e um lugar muito mais inclusivo, com um melhor senso de conexão entre a Igreja e a comunidade", disse a Dra. Brady.

Falando sobre os preparativos da Igreja irlandesa para uma assembleia sinodal nacional em 2025, a presidente do Comitê de Direção Sinodal explicou que a fase inicial de discernimento coincidiu com o sínodo da Igreja universal. "Vemos isso como uma oportunidade real e estamos trabalhando para integrar os dois processos." Acrescentou também que foi "encorajador poder conectar o que estamos fazendo na Irlanda ao contexto global mais amplo e à visão da Igreja universal".

Questionada sobre uma possível limitação das questões que poderiam ser discutidas, a Dra. Clare Watkins pediu "parrhesia" e enfatizou: "em princípio, não pode haver nada que não possamos falar".

A teóloga disse que o cansaço de alguns em torno do processo sinodal surgiu de uma sensação de que não faria qualquer diferença, um sentimento que ouviu tanto do clero quanto dos leigos.

"Acho que o cansaço vem da má comunicação do que realmente se trata". Algumas dioceses na Inglaterra do País de Gales, disse, estavam apresentando o processo como uma pesquisa pedindo para as pessoas abrirem o formulário e preencherem.

"Não é disso que se trata a sinodalidade. Se virmos a sinodalidade como um projeto em que temos que obter nossas respostas a algum tipo de pesquisa até um determinado prazo, será muito cansativo. É muito mais orientado para o objetivo sinodal pensarmos além das tarefas, e não acho que haja apetite para isso. Há falta de confiança, principalmente por causa da forma como as consultas em torno do Sínodo sobre a Família foram conduzidas na Inglaterra e no País de Gales".

"Este não é um projeto que tem começo e fim. Esta é uma tentativa de sermos uma nova forma de ser Igreja".

A Dra. Nicola Brady disse que o princípio da subsidiariedade é muito importante para o processo. "Sentimos que é realmente importante que o processo leve em consideração as realidades locais e, fundamentalmente, se baseie em qualquer trabalho de escuta que tenha sido feito anteriormente em um contexto local, para que as pessoas não sintam que foi abandonado por outra nova iniciativa."

"Este não é um exercício de coleta de dados. Não se trata de pesquisas. É sobre ouvir histórias e experiências e, dentro disso, deve haver espaço para as pessoas compartilharem suas esperanças, mas também suas preocupações, e para compartilhar aquelas coisas que são barreiras para elas pertencerem à Igreja".

Separadamente, uma pesquisa do grupo reformista irlandês We Are Church Ireland (WACI) sobre os sites das 26 dioceses da Igreja Irlandesa para ver se o Sínodo Global foi mencionado descobriu que 10 dioceses (38 por cento) não contêm informações sobre ele.

Em uma declaração, a WACI destacou que nenhuma das 26 dioceses havia nomeado sua pessoa de contato para o sínodo.

Em declarações ao The Tablet, o porta-voz da WACI Colm Holmes disse: "Este é o primeiro item na linha do tempo do escritório do Sínodo do Vaticano e apenas uma diocese (Elphin) nomeou os membros de seu Comitê Sinodal. As dioceses de Derry e Dublin apenas tinham muitos links úteis e vídeos curtos."

A WACI deu uma menção especial à diocese de Raphoe como a única diocese com um formulário de resposta online fornecido em inglês e irlandês.

A associação também expressou preocupação que os bispos irlandeses decidiram esperar até o próximo ano antes de promover o sínodo online.

"Certamente, após a experiência dos últimos 18 meses, aprendemos como interagir online com o Zoom e outras mídias? Um dos objetivos declarados do Papa Francisco é ouvir todos aqueles que estão à margem e fora da Igreja institucional. Esse grupo representa a grande maioria da população da Irlanda e é melhor contatá-los por meio das redes sociais."


Traduzido por Ramón Lara.

*Sarah Mac Donald é escritora sobre assuntos religiosos e colaboradora regular do The Tablet, especialmente sobre a Igreja Católica na Irlanda e na Irlanda do Norte.



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