Economia

21/12/2021 | domtotal.com

Bolsa opera em forte queda após vitória do esquerdista Boric no Chile

Bolsa de Valores de Santiago abriu a semana em queda expressiva de 6,83%, enquanto o peso registrava desvalorização de 3,02%

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, fez campanha com uma mensagem de esperança e promessas de instalar um Estado de bem-estar
O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, fez campanha com uma mensagem de esperança e promessas de instalar um Estado de bem-estar Foto (MAURO PIMENTEL/AFP)

O mercado de valores do Chile e a moeda local, o peso, registravam fortes quedas nesta segunda-feira (20), depois que o esquerdista Gabriel Boric se tornou o presidente eleito mais jovem da história do país, aos 35 anos, após uma vitória com ampla margem sobre o rival de extrema-direita José Antonio Kast.

A Bolsa de Valores de Santiago abriu a semana em queda expressiva de 6,83%, enquanto o peso registrava desvalorização de 3,02% na comparação com o dólar.

O IPSA, principal indicador do mercado chileno, abriu em queda de 6,83%, após a contundente vitória eleitoral de Boric sobre o advogado Kast, de 55 anos, para governar entre 2022 e 2026.

A sessão de câmbio começou com um valor máximo histórica de 872,61 pesos por dólar após um salto de 3,02% em relação ao fechamento de sexta-feira. Desta forma, o dólar americano superou o nível mais elevado desde 18 de março de 2020.

"Este comportamento acontece porque os investidores preferem políticas mais pró-mercado e desconfiam das condições que existirão na presidência de Boric", declarou o diretor de trading da consultoria Capitaria, Ricardo Bustamante.

Os analista econômicos acreditam que o dólar pode disparar e superar os 900 pesos, um valor recorde diante dos temores do mercado de que o sólido triunfo de Boric resulte em políticas "mais redistributivas" e que o nome para assumir o ministério da Fazenda em seu governo seja menos favorável ao mercado do que teria sido com uma vitória mais apertada.

Com 99,9% das urnas apuradas, Boric venceu com 55,87% dos votos, contra 44,13% de Kast, que admitiu a derrota e se ofereceu para "ser uma colaboração para a pátria" durante p governo do rival.

"Nosso projeto significa avançar em mais democracia e (...) defender e cuidar do processo da Constituinte, motivo de orgulho mundial", afirmou após a confirmação da vitória Boric, deputado e ex-líder estudantil.

"Acredito que, apesar da pouca idade, ele aparentemente tem competência para liderar uma mudança da velha política deste país", disse o engenheiro da computação Juan Carlos Cubillos, apoiador de Boric.

- O que levou à vitória de Boric? -

O triunfo de Boric aconteceu com uma das maiores vantagens desde que o Chile retornou à democracia, em uma eleição que teve a participação de mais de 8,35 milhões das 15 milhões de pessoas que estavam registradas para votar.

Analistas concordam que a vitória do esquerdista se se deve ao maior comparecimento na votação do segundo turno: 1,2 milhão de eleitores a mais do que os que compareceram às urnas no primeiro turno, vencido por Kast.

"Há toda uma geração de pessoas que votaram esporadicamente ou não votaram e hoje estão se incorporando ao processo político no Chile, o que do ponto de vista do compromisso cívico cidadão é bom para este país que precisa fortalecer a democracia", declarou à AFP Marcelo Mella, professor da Universidade de Santiago.

Os jovens chilenos, tradicionalmente relutantes a participar nas eleições, compareceram às urnas para apoiar Boric, segundo os analistas.

"Boric não era meu candidato, mas votei nele porque no outro candidato não poderia votar moralmente. Esperemos que (com Boric) tenhamos mais igualdade e que não exista tanta corrupção", disse a estudante Natalia López.

- Desafios -

Os analistas afirmam que Boric terá como principal missão acompanhar a Convenção Constituinte que redige a nova Carta Magna, que substituirá a herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

"Cuidemos todos deste processo para ter uma Carta Magna que seja de encontro e não de divisão como a que eles impuseram com sangue e fogo por meio de um plebiscito fraudulento em 1980 e que nos custou tanto para mudar", afirmou o presidente eleito diante de milhares de simpatizantes no centro de Santiago.

Boric reiterou em seu discurso da vitória as promessas de campanha, como a mudança para um Estado de bem-estar, pensões públicas garantidas, saúde e educação universal e de qualidade, além de respeito aos direitos humanos.

Claudia Hess, professora da Universidade do Chile, afirmou que em um governo que "se promete transformador como o de Boric, o principal desafio é estar à altura das expectativas e não será fácil".

Analistas concordam que, com um Congresso dividido entre esquerda e direita, o governo de Boric - que assumirá o poder em 11 de março de 2022 - terá dificuldades em aprovar reformas sociais, o que obrigará o presidente eleito a buscar alianças e consensos.


AFP



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