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21/12/2021 | domtotal.com

Trabalho e Emprego

A absolutamente essencial agilidade e efetividade de respostas às realidades econômica, social e tecnológica e aos seus dinamismos

Jose Antonio de Sousa Neto
Jose Antonio de Sousa Neto Foto (Pixabay)

Jose Antonio de Sousa Neto*

O Fórum Econômico Mundial (WEF – World Economic Forum) juntamente com a Technical University of Munich publicou recentemente um relatório síntese sobre os grandes desafios enfrentados em caráter global relacionados à questão do trabalho e do emprego: “o mundo do trabalho está mudando rapidamente - e mapear novos modelos de trabalho saudáveis é necessário para canalizar essa mudança para a criação de mercados de trabalho mais fortes e salvaguardas suficientes. A criação de empregos já estava no topo da agenda global antes do advento do Covid-19 e da devastação econômica resultante, assim como a formulação de políticas que podem idealmente ajudar os trabalhadores e seus empregadores. As abordagens mais bem-sucedidas levarão em conta a mudança demográfica e a mudança de papeis de trabalho e nos empregos” (Mapa de transformação - versão interativa disponível online via intelligence.weforum.org)

Evidentemente este é um assunto multidisciplinar e de alta complexidade. As dimensões econômica, social e jurídica precisam ser tratadas em conjunto e não o fazer é receita certa para o fracasso. Mais de uma vez no passado já comentamos aqui sobre a gravidade dos 1,5 bilhões de excluídos nesta nova era tecnológica e, mesmo de uma forma mais ampla e genérica, sobre a “Uberização” do trabalho e da própria vida. A questão da renda mínima é de grande importância. O programa Auxílio Brasil em fase de desenvolvimento e implementação pelo atual governo é uma importante evolução de programas anteriores que se iniciaram no país ainda nos anos noventa e há ainda uma longa caminhada pela frente.

Mas os programas de renda mínima são e deverão ser sempre o botton line. As prioridades dos países devem começar pelo óbvio: a educação básica, o saneamento básico que é antes de tudo uma questão de saúde básica e a educação de uma forma geral. Precisamos de escolas que sejam realmente escolas. Nas universidades os recursos deveriam estar focados na pesquisa e principalmente na pesquisa aplicada. Para evitar distorções, os recursos públicos que não fossem direcionados para a pesquisa deveriam ser alocados através de “cupons”, não diretamente às instituições de ensino superior públicas ou privadas, mas aos estudantes que

decidiriam em quais instituições de ensino gostariam de estudar com o benefício de subsídios ou da gratuidade. Estamos falando aqui de um conceito mais amplo de acesso ao ensino superior e sobre uma evolução significativa em relação a programas atualmente existentes, assim como programas de renda mínima devem continuar evoluindo a partir de programas que lhes precederam. Estamos falando na absolutamente essencial agilidade e efetividade (eficiência + eficácia) de respostas às realidades econômica, social e tecnológica e aos seus dinamismos cada vez mais acelerados e complexos.

Enquanto isso, ao longo desta caminhada e necessárias transições, algumas ações básicas são necessárias e prioritárias segundo o relatório produzido pelo WEF - Workforce and Employment: Dynamic Briefing (2021):

1. Requalificação

A Quarta Revolução Industrial e as mudanças demográficas exigem uma requalificação de curto prazo para atender às demandas do mercado de trabalho.

2. Mercados de trabalho inclusivos

A ruptura tecnológica dos mercados de trabalho cria desafios e oportunidades para as pessoas. A criação de mercados de trabalho que permitam a todos participar independentemente da raça, etnia, gênero ou origem.

3. Criação de empregos e empreendedorismo

A mudança da economia global pode criar valor rapidamente, mas é lenta para gerar empregos sustentáveis, exigindo novas abordagens.

4. Novos modelos de trabalho

O trabalho temporário, de meio período e independente permanece esquecido na pesquisa e na formulação de políticas, mesmo quando substitui o emprego permanente. Parte significativa do crescimento líquido do emprego nos último 16 anos tem acontecido nas categorias de trabalhadores independentes e autônomos - o que significa que o que antes era considerado trabalho "não padrão" está se tornando (ou já se tornou) um componente significativo da força de trabalho.

5. Design de Trabalho Digital

As organizações precisam de flexibilidade, velocidade e escalabilidade que exigem novas formas de organizar o trabalho.

6. Proteção Social

“Novos modelos de trabalho e ruptura tecnológica exigem uma regulamentação inovadora e alinhada às necessidades dos trabalhadores. Redes de segurança adequadas podem fornecer aos trabalhadores (pelo menos) amortecedores de curto prazo contra períodos de desemprego e habilidades que se tornaram obsoletas”. Reforçar a proteção social é fundamental para ajudar na transição do emprego informal para o formal. O sucesso deve incluir a capacidade de garantir a segurança de uma renda mínima e a dignidade humana.

Mesmo para os mais privilegiados os desafios não são pequenos e nem simples  . “De acordo com o US Bureau of Economic Analysis, os retornos do capital e do trabalho nos EUA divergiram no passado - e o prognóstico atual é que ambos os salários e o número de empregos disponíveis nos setores industriais clássicos continuarão a diminuir, à medida que a automação e as máquinas assumirem cada vez mais o controle (e os empregos de baixa remuneração estão em particular risco). Para enfrentar esses desafios, o empreendedorismo criativo será, sem dúvida, necessário. No entanto, pesquisas globais sobre empreendedorismo sugerem que a intenção, estabilidade e viabilidade empreendedoras reais diferem muito entre os países e mesmo dentro deles. O capital social, de infraestrutura, humano e financeiro precisa ser direcionado para o aumento da atividade empresarial geral. E, os setores privado e público, incluindo a comunidade científica, precisam trabalhar juntos muito mais estreitamente, a fim de permitir que a pesquisa fundamental nas universidades seja comercializada por empresas existentes ou por novas empresas criadas para esse fim específico” (Workforce and Employment: Dynamic Briefing - 2021).

Finalmente, independente dos desafios sobre os quais discorremos acima e das inúmeras oportunidades que o “novo mundo” pode nos trazer - sim, no princípio apenas para uma elite, mas também com potencial muito grande para todos – basta ver o progresso que fizemos ao longo dos últimos 200 anos - a questão da acessibilidade digital é transversal e absolutamente essencial  . Mesmo para as coisas mais corriqueiras de nosso dia a dia essa necessidade se faz cada vez mais presente.


Dom Total

*Professor da EMGE - Dom Helder Tech.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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