Brasil Política

03/01/2022 | domtotal.com

Os dois QIs do ministro

Concluiu-se que o senhor Queiroga descumpriu inteiramente o juramento feito na formatura

Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga é Ministro da Saúde
Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga é Ministro da Saúde Foto (ABr)

Afonso Barroso*

Em assembleia extraordinária realizada no templo de Esculápio, deus da cura, membros do CUM (Conselho Universal da Medicina) reuniram-se atendendo à convocação do doutor Hipócrates, pai da medicina e presidente vitalício da entidade. Na pauta, uma análise dos efeitos do Coronavírus que pandemizou o mundo nos anos 2020 e 2021.

Estavam presentes alguns dos mais notáveis médicos da História, representantes de diversos países e gerações, como Cláudio Galeno, Andrea Versalius, Alexander Fleming, Edward Jenner, William Harvey, Wilhelm Röntgen e Virgínia Apgar, além de doutores da antiguidade greco-romana, contemporâneos de Hipócrates. Também participaram vários brasileiros, entre os quais José Osmar Medina Pestana, Carlos Chagas, Emílio Ribas, Adolfo Cruz, Vital Brasil e Zilda Arns. Atendendo a requerimento do dr. Pestana, o assunto Brasil ocupou a maior parte da reunião, em virtude dos graves problemas aqui ocorridos, conforme relato do renomado nefrologista em seu pedido.

O personagem principal do capítulo Brasil foi o ministro de nome comprido e ideias curtas: o médico Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes cuja atuação no ministério da Saúde foi  considerada inaceitável. Na avaliação de todos presentes, o Brasil foi vítima de um crime continuado, que começou com a nomeação de um general para ministro da Saúde. Ou seja, o presidente da República, ao escolher o general Pazuello, nomeou alguém que, em vez do juramento de Hipócrates, fizera o de Caxias.

Foram identificadas, na assembleia, diversas infrações cometidas pelo ministro Queiroga relativamente ao juramento prestado na sua formatura. Como faz todo formando, ele jurou “aplicar os preceitos da medicina para o bem do doente segundo o seu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”. Pois eis que o ministro, no afã de agradar o patrão presidente, fez o oposto do que preceitua o juramento.

Outra infração foi ao juramento de “a ninguém dar nem remédio mortal nem um conselho que induza à perda da saúde ou da vida”. Como se sabe, ele não impediu que o Ministério distribuísse remédios de ineficácia comprovada para combater o Coronavírus.

Lembraram ainda os participantes do conclave que o médico afirmou, ao receber o diploma, que “se cumprisse o juramento com fidelidade, que lhe fosse dado gozar felizmente da vida e da profissão, honrado para sempre entre os homens. E que lhe acontecesse o contrário se infringisse o juramento ou dele se afastasse”.

Concluiu-se que o senhor Queiroga descumpriu inteiramente o juramento prestado. Trocou a obediência ao que jurou na formatura pela subserviência a um patrão terrivelmente anticristão.

Os membros do CUM ficaram estarrecidos ao saber que o ministro, além de editar uma consulta pública pra saber se a população apoia a vacina, o que é absurdo, chegou a recomendar que a vacina para crianças deve ter receita médica. É um contrassenso, uma crueldade exigir que pessoas pobres se plantem horas ou dias em filas do SUS para obter uma receita.

Ao final, decidiu-se, diante dos fatos, cassar a inscrição do senhor Queiroga no Conselho. O último parágrafo do documento, chancelado pelo presidente Hipócrates, diz, textualmente:

“Este Conselho, considerando os maus procedimentos adotados por esse ministro, sob o comando de um patrão que deveria estar deitado no divã do nosso colega Freud;

Considerando que o médico em questão esqueceu o juramento, desviou o pensamento e continua persistindo em erros graves no exercício da medicina e do poder;

Considerando o baixo nível dos dois QIs do ministro (o de Inteligência e o Quem Indicou);

Considerando, enfim, ter esse profissional da medicina transformado o presidente da República brasileira no seu Hipócrates;

Considerando todos esses fatos, decidimos, por unanimidade, expulsá-lo dos quadros deste Conselho.

Ignorem-se as alegações em contrário”. 


Dom Total

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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