Cultura

10/01/2022 | domtotal.com

Crônica da falta de assunto

De repente minha cabeça se mexe e sugere que eu fale de algumas séries da Netflix que vi e gostei

Sem ideias para escrever
Sem ideias para escrever Foto (Pixabay)

Afonso Barroso*

Amigos, o que acontece comigo, neste exato momento, é algo muito triste. Tristíssimo. Por várias vezes tentei iniciar uma crônica e não saiu nada que prestasse. Tentei de tudo até o presente momento. Quis escrever sobre o ano novo que começou com pouca festa e alguma esperança. Talvez fosse interessante falar sobre este ano de eleições presidenciais, sem muitas perspectivas de uma terceira via, que seria o ideal para um país deixado à deriva pela atual administração. Mas não quero tratar de política, pelo menos não por enquanto. Até porque as vias já abertas para a corrida presidencial são intransitáveis.

Poderia falar sobre os três presentes que ganhei, a saber: uma garrafa de Chivas 13 anos, edição especial; um pote de sorvete diet; e uma bermuda branca, com a qual sonhava há tempos. Mas também não achei interessante falar desses poucos presentes, embora tenham os três me alegrado muito.

Pensei também em falar sobre o ano velho. Mas qual: ano velho é mais velho do que eu mesmo, tão passado está. Não, espera aí. Tem coisas no finado ano que mereceriam figurar numa crônica. Por exemplo, o emprego do meu filho Afonsinho, que ficou em primeiro lugar no concurso do Banestes, esperou todo o tempo da pandemia, mas foi finalmente contratado e agora trabalha numa cidade do Espírito Santo de nome muito simpático: Laranja da Terra. Minha filha Lívia foi contratada pela Rullus, certamente a maior e mais conceituada empresa de buffet de Belo Horizonte. E a outra filha, Anamaria, virou primeira dama e secretária de Saúde na atraente cidadezinha de Goiabeira, no Leste final de Minas. O marido, eleito prefeito, chama-se Samuel, pequeno empresário, grande pessoa e excelente administrador.

Mas acho que não devo falar dessas coisas, que só a mim interessam por serem assuntos de família, de modo que passo ao largo. Melhor esquecer tudo isso e pedir as mais sinceras desculpas.

Alguém, talvez até você mesmo, meu caro leitor ou minha amantíssima leitora, alguém poderia dizer que eu devesse escrever sobre a pandemia que assolou o País e o mundo durante dois longos e pesados anos. Ou sobre a CPI que desnudou a incompetência, as maldades e a indiferença do Governo, cuja atuação desastrosa levou à morte milhares de brasileiros.

Você poderia sugerir que eu falasse sobre as carreatas, passeatas, motociatas e aglomerações promovidas pelo presidente da República, reunindo seu rebanho de gado humano para disseminar o vírus e mostrar uma pretensa força eleitoral. Mas, não, não vou falar disso.

Penso em escrever sobre as reprises da Escolinha do Professor Raimundo, que vejo todo santo dia no canal Viva. Morro de rir com o Chico Anysio e sua turma de velhos e insuperáveis comediantes, a maioria já embarcada para o mundo de lá.

De repente minha cabeça se mexe e sugere que eu fale de algumas séries da Netflix que vi e gostei. Por exemplo, The Queen’s Gambit, a história de uma órfã que aprende a jogar xadrez com o velho zelador do orfanato, cresce no tabuleiro e se transforma em campeã mundial. Ou Breaking Bad, que tem como enredo a vida de um professor de química que, acometido de câncer, torna-se fabricante de metanfetamina, uma desesperada fórmula para garantir o futuro da família. Ou Suits, uma serie sobre o mundo da advocacia na cidade de Nova York. Ou ainda María Magdalena, a enigmática discípula adotada por Jesus, numa história bem envolvente da vida de Cristo.

Mas, será que isso de que eu acabo de falar interessa ao exigente leitor do DomTotal e do Facebook? Sei não.

Quer saber? Não vou escrever é nada hoje.


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*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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