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19/01/2022 | domtotal.com

Polícia do RJ realiza megaoperação para 'recuperar' controle do Jacarezinho

A megaoperação é parte de um programa do governo estadual, para transformar "as comunidades do estado do Rio" em que atuam organizações criminosas e narcotraficantes

Policial durante operação na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 2022
Policial durante operação na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 2022 Foto (Carl DE SOUZA/AFP)

Mais de mil policiais foram enviados nesta quarta-feira (19) para a comunidade do Jacarezinho para "recuperar" o controle do território dominado por organizações criminosas, o mesmo local em que foi realizada a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, em maio de 2021.

Desde muito cedo pela manhã, 1.200 policiais fortemente armados entraram na comunidade situada na Zona Norte da cidade, considerada um bastião do Comando Vermelho, informou a Polícia Militar no Twitter.

"O Governo do Estado [do RJ] inicia uma retomada de território na comunidade do Jacarezinho. Comunidades que estão no entorno também serão ocupadas", afirmou a força em uma de suas postagens na rede social, acompanhadas de fotos e vídeos dos agentes patrulhando as ruas.

Até o momento, a situação era de "aparente tranquilidade" e não há registro de "tiroteios" entre criminosos e autoridades, afirmou o porta-voz da PM, Ivan Blaz, aos jornalistas.

"Era necessário que fizéssemos este trabalho de cerco e agora é fazer vasculhamento, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão e verificação de antigos mandados de prisão", acrescentou Blaz.

As ruas do Jacarezinho estavam vazias e o comércio fechado, em meio a um ambiente tenso e ao medo dos moradores, que não quiseram dar entrevistas, conforme constatou uma equipe da AFP.

Reformulação das UPPs

A megaoperação é parte de um programa do governo estadual, batizado de Cidade Integrada, para transformar "as comunidades do estado do Rio" em que atuam organizações criminosas e narcotraficantes, segundo detalhou o governador Cláudio Castro no Twitter.

"Foram meses elaborando um programa que mude a vida da população levando dignidade e oportunidade. As operações de hoje são apenas o começo dessa mudança que vai muito além da segurança", afirmou.

Castro, que assinalou que dará mais detalhes no próximo sábado, disse na semana passada que a iniciativa, com foco social e urbanístico, seria diferente das implementadas em outras épocas, quando as autoridades aplicavam uma estratégia militar contra os grupos criminosos.

Esse enfoque militar é alvo de muitas críticas dos especialistas em segurança e violência, pois apresentam poucos resultados e resultam em um alto índice de letalidade.

O projeto Cidade Integrada substituirá as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), criadas em 2008 durante governo de Sérgio Cabral, que cumpre pena desde 2016 por corrupção.

Com a presença permanente de policiais nas comunidades, as UPPs conseguiram inicialmente reduzir a violência, mas a situação se deteriorou com o tempo, em particular devido à grave crise financeira que afetou o estado do Rio depois dos Jogos Olímpicos de 2016.

Operação de maio

O Jacarezinho foi cenário, em maio do ano passado, de uma controvertida e violenta incursão policial que deixou 28 mortos, entre eles um agente das forças de segurança.

A operação tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa que recrutava crianças e adolescentes para traficar drogas, roubar, sequestrar e assassinar.

Organizações de defesa dos direitos humanos a classificaram como a operação policial mais mortífera da história de Rio e fizeram denúncias de execuções extrajudiciais, que a ONU pediu que fossem investigadas.

Desde outubro do ano passado, dois agentes estão sendo processados na Justiça por homicídio.

Na época, o presidente Jair Bolsonaro, conhecido por seu discurso de mão dura contra a criminalidade e por sua defesa de policiais e militares, apoiou a operação.


AFP



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