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25/01/2022 | domtotal.com

Países 'limpos' também perdem pontos na luta contra a corrupção

Países mostraram que não têm força para enfrentar o desafio da corrupção em redes cada vez mais globais

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau
O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau Foto (Dave Chan/AFP)

Na última década, os países mais bem classificados no ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional (TI) regrediram na luta contra esse flagelo, com destaque para Canadá, Estados Unidos e Chile.

"A corrupção nos países mais bem avaliados no índice assume formas menos flagrantes", sublinha o último relatório da ONG, publicado nesta terça-feira (25).

Por um lado, a pandemia da covid-19 colocou à prova a resistência desses países. Por outro, eles mostraram que não têm força para enfrentar o desafio da corrupção em redes cada vez mais globais, afirma a TI.

- Chile diante de um novo desafio -

Na escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito limpo) da TI, a posição do Chile (67) caiu consideravelmente na última década, e o país perdeu cinco pontos desde 2012.

Os escândalos de corrupção e a necessidade de fortalecer a proteção dos denunciantes estão na ordem do dia.

A Chile Transparente, filial local da TI, lembra que, na atual Carta Magna, não está garantido o direito de acesso à informação pública.

A TI destaca, porém, que, com a chegada do esquerdista Gabriel Boric à Presidência, o Chile tem uma oportunidade única de fortalecer suas instituições e reverter o impasse da corrupção com a nova Constituição.

- Trudeau sob os holofotes no Canadá -

O país norte-americano (74) obteve sua pontuação mais baixa desde 2012, data a partir da qual os dados podem ser comparados entre as nações.

Tanto o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, quanto seu ex-ministro das Finanças Bill Morneau estiveram envolvidos em um escândalo sobre a atribuição de um contrato milionário a uma organização, com a qual tinham vínculos.

Em 2021, a Comissão de Ética absolveu Trudeau, mas seu ministro, que renunciou em 2020, foi indiciado.

Além disso, a investigação jornalística "Pandora Papers" mostrou que o país serve de centro de fluxos financeiros ilícitos, favorecendo a corrupção transnacional na região.

Outros países que alcançaram sua pontuação mais baixa em dez anos são Suíça, Luxemburgo, Bélgica e Holanda.

- Estados Unidos, fora dos 25 melhores -

Pela primeira vez, os Estados Unidos ficaram de fora do grupo de 25 países que normalmente lideram a lista dos países menos corruptos da TI.

A ONG cita um contexto caracterizado por constantes ataques contra eleições livres e justas, mas também pela opacidade do sistema de financiamento de campanhas eleitorais, elementos que geram "preocupação".

Investigações jornalísticas também revelaram a existência de paraísos fiscais em estados rurais dos EUA.

- Contratos opacos e pandemia -

Na Alemanha, que tem a mesma pontuação há cinco anos (80), vários deputados do partido da ex-chanceler Angela Merkel foram acusados de se enriquecerem por meio de contratos governamentais para compra de máscaras em plena pandemia.

O escândalo provocou duas renúncias em 2021: uma, no partido de Merkel, a CDU; e outra, na CSU, o partido irmão bávaro dos conservadores alemães.

Segundo a TI, metade dos alemães também acredita que as empresas muitas vezes se valem de dinheiro, ou de conexões, para obterem contratos públicos.


AFP



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