Ciência e Tecnologia

26/01/2022 | domtotal.com

Aplicativo WeChat proíbe dissidentes chineses a poucos dias dos Jogos

Em um país hiperconectado, ser excluído do WeChat equivale a uma morte social

Logo do aplicativo WeChat
Logo do aplicativo WeChat Foto (Kirill KUDRYAVTSEV/AFP)

A poucos dias dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, dissidentes chineses reclamam de terem sido expulsos do aplicativo onipresente de mensagens WeChat, um movimento comum do poder antes de grandes eventos.

Em um país hiperconectado, ser excluído do WeChat equivale a uma morte social: não é possível usar o serviço de mensagens nem de pagamento virtual e também não é impossível baixar o certificado sanitário que dá acesso a vários estabelecimentos comerciais e transportes públicos.

Oito intelectuais e militantes pelos direitos humanos disseram à AFP que suas contas do WeChat foram bloqueadas ou que não conseguiam acessar algumas de suas funções, como as mensagens em grupo, desde o início de dezembro.

Tencent, o grupo privado que administra o aplicativo, não respondeu às perguntas sobre essa questão.

As restrições somam-se às prisões recentes de dois militantes por incitar a subversão, o advogado Xie Yang e o escritor Yang Maodong.

Além disso, desde dezembro não se tem notícias do advogado Tang Jitian, que foi para Pequim para participar de um evento sobre os direitos humanos na delegação da União Europeia. Seus familiares acreditam que está detido em segredo.

"Essa onda de remoção de contas do WeChat é brutal e sem precedentes", observou a jornalista Gao Yu, que constatou anomalias em sua própria conta desde 20 de dezembro.

As autoridades comunistas costumam bloquear o acesso à internet aos dissidentes ou afastá-los da capital quando há grandes celebrações e aniversários, entre eles o do massacre de Tiananmen em 1989.

Os Jogos de Pequim-2022 não foram uma exceção.

"O poder quer que as pessoas não cruzem a linha vermelha na internet e manchem a fachada imaculada dos Jogos Olímpicos de Inverno", comenta a pesquisadora Yaqiu Wang, da associação americana Human Rights Watch.

"Os Jogos Olímpicos e seus preparativos são períodos extremamente sensíveis", observa um militante, cuja conta do WeChat sofreu restrições de serviço duas vezes nos últimos dois meses.

A disputa olímpica já foi abalada por diversas polêmicas, entre elas o desaparecimento da esfera pública por algumas semanas da tenista Peng Shuai, que denunciou no início de novembro uma agressão sexual de um alto dirigente político.

Além disso, os Estados Unidos e alguns países aliados anunciaram um "boicote diplomático" aos Jogos para denunciar as violações dos direitos humanos na China, especialmente contra a minoria muçulmana uigur na região de Xinjiang.


AFP



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