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13/05/2022 | domtotal.com

Putin justifica a guerra

Presidente russo discursa no Dia da Vitória

Parada do Dia da Vitória contou com 11 mil militares e 131 unidades de equipamento bélico
Parada do Dia da Vitória contou com 11 mil militares e 131 unidades de equipamento bélico Foto (Alexander Nemenov/AFP)

Jorge Fernando dos Santos*

O patriotismo sempre foi o principal argumento de líderes populistas para justificar a estupidez da guerra. O presidente russo Vladimir Putin não fez diferente na última segunda-feira (09/5), ao discursar na Praça Vermelha, em Moscou, durante as comemorações dos 77 anos do Dia da Vitória.

Trata-se do principal feriado nacional da Rússia, em que se comemora a derrota dos alemães para os soviéticos, no final da Segunda Guerra. Afinal, o Exército Vermelho foi de fato o primeiro a ocupar Berlim, em 1945, depois de livrar o território russo das tropas nazistas.

A parada deste ano contou com 11 mil militares e 131 unidades de equipamento bélico. Foi, sem dúvida, uma impressionante demonstração de força, na qual ficou claro o apoio das tropas ao presidente Putin. Um dos destaques foi a presença de participantes da operação especial na região de Donbass, no Leste da Ucrânia.

Recado à Otan

O discurso de Putin foi mais um recado aos países membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Ao evocar a memória do heroísmo soviético no combate ao nazismo, ele descreveu a ofensiva contra a Ucrânia como uma resposta às políticas do Ocidente com relação à Rússia.

Subestimado pelos Estados Unidos e seus aliados, Putin já comparou várias vezes a invasão da Ucrânia ao desafio enfrentado pelos soviéticos após a invasão alemã ordenada por Adolf Hitler, em 1941. Ele só se esquece de dizer que foi o Pacto Molotov-Ribbentrop que permitiu a invasão da Polônia, três anos antes, marcando o início da guerra.

Os supostos motivos da ocupação da Ucrânia pela Rússia são bem semelhantes àqueles que Hitler usou para ordenar a ofensiva rumo ao Leste europeu. Tanto é verdade que suas tropas foram bem aplaudidas na Áustria e em outros territórios de língua alemã. O suposto objetivo, nesse caso, era unir os povos de origem teutônica em torno da Grande Alemanha.

Armas nucleares

Diante das tropas reunidas na Praça Vermelha, Putin reafirmou que a forças russas na Ucrânia estão defendendo a pátria-mãe contra uma “ameaça absolutamente inaceitável”. E repetiu argumentos de que a Otan colocava a Rússia em perigo, com “infraestruturas militares... centenas de especialistas estrangeiros trabalhando e fornecimento regular de armamento moderno”.

“Os países da Otan não quiseram nos escutar, eles tinham outros planos”, disse Putin. “Preparações estavam em curso para uma operação punitiva no Donbass, para a invasão das nossas terras históricas, incluindo a Crimeia”. Aos soldados que lutam em Donbass, declarou: “Vocês estão lutando pela pátria, por seu futuro, para que ninguém se esqueça das lições da Segunda Guerra. Para que não haja espaço no mundo para carrascos e nazistas”.

Segundo a imprensa internacional, em nenhum momento o presidente russo mencionou a Ucrânia pelo nome. Tampouco citou a batalha de Mariupol, cidade onde ucranianos se abrigaram nas ruínas da siderúrgica de Azovstal para resistir à invasão. Segundo ele, os militares russos estão prosseguindo com a batalha contra o nazismo e é importante “fazer de tudo para que o horror de uma guerra global não se repita”.

Ainda que a Otan possa ter pretensões de “cercar” seu país, fato é que Putin nunca aceitou a derrocada da União Soviética, ocorrida em 1991. Com o ego ferido de ex-agente da KGB, ele se vê como um novo Tsar, cuja missão seria devolver à Rússia os momentos de glória. Dificilmente recuará

de seus propósitos, ainda que para isso tenha que usar armas nucleares, colocando em risco a segurança mundial


Dom Total

Jornalista, escritor e compositor, tem 46 livros publicados. Entre eles, Palmeira Seca (Prêmio Guimarães Rosa 1989), Alguém tem que ficar no gol (finalista do Prêmio Jabuti 2014), Vandré - O homem que disse não (finalista do Prêmio APCA 2015), A Turma da Savassi e Condomínio Solidão (menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte 2012).

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