Brasil

20/05/2022 | domtotal.com

O que aprendi sobre cataratas

A sensação era de estar dirigindo um automóvel sob chuva, sem limpador de para-brisa

De repente, o oftalmologista dr. Eduardo Araújo Júnior, meu querido sobrinho Juninho, me apresentou outras duas a despejar água turva sobre meus olhos
De repente, o oftalmologista dr. Eduardo Araújo Júnior, meu querido sobrinho Juninho, me apresentou outras duas a despejar água turva sobre meus olhos Foto (Pixabay)

Afonso Barroso*

As cataratas que eu conhecia eram em fotos, documentários e relatos, como as do Iguaçu e do Niágara. Vi algumas outras de perto, mas eram mais quedas d’água do que cataratas propriamente ditas. De repente, o oftalmologista dr. Eduardo Araújo Júnior, meu querido sobrinho Juninho, me apresentou outras duas a despejar água turva sobre meus olhos. Seu cristalino está esfumaçado, tio, sentenciou ele após os exames. Está enxergando pouco e precisa operar de catarata. Explicou que o cristalino é uma lente que tem a função de filtrar a imagem que os olhos veem e o coração sente. O cristalino é transparente e precisa estar assim, sem mancha, para que as imagens cheguem sem impurezas à retina. Quando a pessoa envelhece, uma espécie de fumaça vai cobrindo aos poucos o cristalino, até torná-lo opaco. Se isso acontecer com muita severidade, a pessoa fica cega.

Saí do consultório com uma certa preocupação e fiquei pensando no dia em que teria de me submeter à cirurgia. Por feliz coincidência, minha filha Aninha, que mora em Goiabeira, agradável cidadezinha mais ou menos próxima de Governador Valadares, pediu que eu e a Sônia, mãe dela, fôssemos passar uns dias com ela para participar da Festa do Carreiro, tradicional na cidade. O que eu não sabia é que ela, informada que estava sobre a opacidade dos meus olhos, já havia marcado a cirurgia com um oftalmologista de Valadares. Pelo SUS. O que ela conseguiu graças à intervenção da concunhada Regina Bosco, que é consultora de saúde no Leste de Minas e conhece todos os principais médicos da região. O oftalmologista que seria encarregado da cirurgia é o dr. Rimack Filho, que tem uma clínica de altíssimo nível, equivalente à do meu sobrinho Juninho em Sete Lagoas.

Na consulta com o dr. Rimack, fiquei sabendo que ele é especialista em cirurgia de catarata. Usa o método mais moderno e seguro que existe, a facoemulsificação. O nome é complicado, como tudo na medicina. Consiste na aspiração da catarata (e do cristalino) por uma ponteira ultrassônica, o que exige do médico extrema precisão ao utilizar o processo. É assim que, após alguns minutos, o cristalino é removido e implantada no lugar uma lente que o substitui. Simples assim, complicado assim.

As duas cirurgias foram absoluto sucesso. A primeira, no olho direito, teve recuperação surpreendente. Tão rápida que o médico operou o esquerdo dois dias depois. Como se tratava de uma catarata do tipo mais grave, que os médicos chamam de rubra, a recuperação do olho esquerdo foi lenta. Por uns cinco dias fiquei com a sensação de estar dirigindo um automóvel sob chuva, sem limpador de para-brisa.

Ho fim das contas, tudo bem. Diria que estou de olhos novos. Posso ver a bola nos jogos de futebol pela TV, posso escrever estas mal traçadas linhas sem ter de me aproximar demais da tela do computador e, respondendo a uma indagação do amigo Rubem Ur, posso, sim, ver um passarinho voando. Pode ser até um minúsculo caga-sebo.


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*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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