Mundo

06/06/2008 | domtotal.com

Latino-americanos não aceitam conclusão de cúpula de alimentos


Por Phil Stewart

ROMA (Reuters) - Um grupo de países latino-americanos acusou nesta quinta-feira a cúpula de alimentos das Nações Unidas de diagnosticar incorretamente as raízes da crise que ameaça milhões de passarem fome, mas decidiram parar de atacar o evento.

Cuba, Venezuela e Argentina foram os críticos mais fortes da declaração final aprovada pela cúpula de 183 países. Esta foi passada sem a aprovação dos apenas horas depois de protestos de delegados no debate observado pela mídia mundial.

Cada um expressou preocupações de que a conferência de Roma não levou em conta as opiniões de países em desenvolvimento.

"Textos como este... francamente negligenciam as necessidades vitais daqueles que sofrem com a fome", afirmou o delegado cubano Orlando Requeijo Gual, criticando o embargo norte-americano à ilha caribenha.

Ele reclamou das "estratégias sinistras de usar os grãos como combustíveis", em referência ao biocombústivel norte-americano a base de milho, cujos produtores são acusados de ajudar a causar a elevação dos preços de alimentos.

A Argentina, produtora de grãos e de carne, focou as críticas à declaração na queda nas exportações.

"Quando começamos o básico errando no diagnóstico, nenhum remédio apropriado pode ser encontrado. Este é o problema desta declaração", afirmou o delegado argentino Luis Niscovolos.

Os pesos pesados econômicos Brasil e México ficaram de lado nos debates, o que foi interpretado como solidariedade a seus aliados regionais.

Um membro da delegação venezuelana disse que os países em desenvolvimento precisam ser capazes de se defender do livre mercado quando necessário, incluindo quando enfrentam um perigoso fluxo de entrada de produtos importados que podem devastar a indústria local. Especialistas consideram que a causa da crise de alimentos está na dificuldade de diversos países pobres em produzir o suficiente para eles próprios.

O embaixador venezuelano para a Organização para Alimentação e Agricultura da ONU (FAO na sigla em inglês), que abrigou o evento, questionou porque países pobres da África e de outros lugares apoiaram a declaração.

"Eu pergunto... isto irá trazer o fim da fome?", disse a venezuelano Gladys Francisca Urbaneja Duran.



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