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23/05/2014 | domtotal.com

Chaplin para sempre!

O mundo celebra neste ano o centenário do cinema de Charlie Chaplin.

Há 100 anos, estreava  ‘Carlitos Repórter’, o primeiro filme de Charlie Chaplin.
Há 100 anos, estreava ‘Carlitos Repórter’, o primeiro filme de Charlie Chaplin. (Arquivo)

Por Carlos Ávila*

Há exatos cem anos, ia para as telas o primeiro filme do grande Charlie Chaplin (Charles Spencer Chaplin, 1889/1977) – “Making a Living” (“Carlitos Repórter”, no Brasil) – e o cinema ganhava uma magia única. A partir daí, atacando em todas as frentes como um “curinga” da sétima arte, Chaplin roterizou, dirigiu, atuou e produziu uns 80 filmes – a maior parte deles no período do cinema mudo. Criou um personagem inesquecível, Carlitos, um vagabundo lírico, sonhador e solitário; um gentleman pobretão, com chapéu, bengala e fraque esfarrapado, além de um bigodinho característico (que lembra o de Hitler, aliás, ridicularizado por ele em “O Grande Ditador”, seu primeiro filme falado, já no início da Segunda Guerra Mundial).

Associando humor (pantomima e piadas visuais), crítica e poesia, Chaplin conquistou o público de todo o mundo e permaneceu para além de sua época, encantando gerações de espectadores. Que grande prazer, até hoje, ir a uma locadora e trazê-lo para casa em DVD, vivíssimo em imagem e movimento. Que atualidade! Chaplin: um artista genial, um mito do século 20, sem dúvida. Carlitos: um homem do povo; qualquer um de nós, com seus embates e fraquezas, sucessos e revezes, alegrias e desesperanças. Chaplin registrou a tragicomédia humana, mas “através dos olhos de um menino que ri” (segundo Eisenstein).

“Num universo absurdo” – observa o crítico José Lino Grunewald – “onde a usura condiciona a exploração dos muitos que têm pouco pelos poucos que têm muito, onde o egoísmo e a perversidade são, muitas vezes, estimulados ou premiados, Chaplin jamais conseguiu se adaptar e ficou criança”. Talvez esteja aí, em grande parte, a razão de sua atualidade e permanência. Trata-se de uma espécie de porta-voz dos excluídos do “sistema”.

No Brasil, um outro Charles, o poeta Drummond de Andrade – também um “inadaptado” exposto à galhofa, um “gauche na vida” – celebrou com belas palavras o genial vagabundo inglês e universal, a um só tempo: “Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo,/crispação do ser humano, árvore irritada, contra a miséria e a fúria dos ditadores,/ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode caminham numa estrada de pó e esperança” (versos livres e longos do “Canto ao Homem do Povo Charlie Chaplin”, no livro “A rosa do povo”, de 1945).

Desde as primeiras comédias curtas, cheias de gags e correrias sem fim, até as suas duas obras-primas “Luzes da Cidade” e “Tempos Modernos”  (sempre citadas, nas listas dos críticos, entre as maiores obras da história do cinema), Chaplin encheu nossos olhos com imagens tocantes. Continua nos ajudando a caminhar nesta “estrada de pó e esperança” chamada vida.

“Tempos Modernos”, com Charlie Chaplin. Veja o vídeo:

*Carlos Ávila é poeta e jornalista. Publicou, entre outros, Bissexto Sentido e Área de Risco (poesia); Poesia Pensada (crítica) e Bri Bri no canto do parque (infantil). Foi, por quatro anos (1995/98), editor do “Suplemento Literário de Minas Gerais”. Trabalhou também na Rede Minas de Televisão e foi editor do caderno de cultura do jornal “Hoje em Dia”. Participou de mais de vinte antologias no país e no exterior.

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