Cultura Moda

10/10/2015 | domtotal.com

A história de uma 'bomba anatômica'

A chegada do biquíni – em 5 de julho de 1946 – é um evento na história da moda.

Modelos apresentam os biquínis na piscina Molitor, em 1951.
Modelos apresentam os biquínis na piscina Molitor, em 1951. (AFP)

Em 1º de julho de 1946, os americanos realizavam o primeiro de uma série de testes nucleares em um atol no Pacífico Sul. Quatro dias depois, um francês, Louis Reard, revelava, em Paris, um maiô "explosivo".

Tão explosivo que foi batizado com o nome da pequena ilha onde os testes atômicos foram realizados: Bikini, ou biquíni, em português.

"O biquini: uma bomba anatômica" foi o slogam criado para os dois pedaços de tecido, uma faixa para a parte de cima e dois triângulos invertidos para a parte de baixo, vendidos em um pacote do tamanho de uma grande caixa de fósforos.

Para apresentar a criação, ele precisava de um público. Foi na piscina Molitor, local muito frequentado da Paris dos anos 1930, que Louis Reard, engenheiro automotivo cuja família possuía uma loja de lingerie, decidiu apresentar seu biquíni, em 5 de julho de 1946.

Um desfile de aniversário para reapresentar este modelo histórico, mas também outras peças raras de maiôs de 1890 a 1970, será realizado nesta obra-prima da art déco.

Quase 70 anos antes, Louis Réard não tinha encontrado nenhuma modelo profissional que quisesse usar o biquíni, cuja apresentação oficial foi feita por uma dançarina de 19 anos, Micheline Bernardini, que se apresentava no Cassino de Paris e que entrou para a história, uma vez que esta invenção, que ocupou as manchetes dos jornais de todo o mundo, também causou grande escândalo.

Na Europa, sob pressão da Igreja Católica, os governos italiano, espanhol e belga proibiram a venda dos biquínis. Na França, curiosamente, foi permitido nas praias do Mediterrâneo, mas proibido nas do Atlântico.

"A chegada do biquíni é um evento na história da moda, porque mostra pela primeira vez que as mulheres não se atreviam a mostrar, o umbigo. Essa é a verdadeira revolução", explica Ghislaine Rayer, que tem uma das maiores coleções de trajes de banho com cerca de 5.000 peças.

Deve ser dito que, além do umbigo, o biquíni assinado por Reard também mostrava grande parte das nádegas, o que sugere para alguns que o engenheiro também inventou o fio dental.

O biquíni de BB

Apesar de o biquíni já existir há algum tempo, foi a calcinha de cintura alta, na altura da barriga, a preferida das mulheres no pós-guerra, como evidenciado pelas imagens de pin-up ou atrizes americanas, Marilyn Monroe na liderança.

Após sua apresentação tempestuosa de 5 de julho de 1946, o biquíni iniciou uma travessia do deserto e foi preciso chegar em 1953 para outra bomba explodir, novamente na França, durante o Festival de Cannes: ela se chamava Brigitte Bardot e causou furor entre os fotógrafos posando de biquíni branco com flores na praia do Carlton.

"É ela que fez do biquíni uma peça icônica. Ao usá-lo, ela o fez entrar no mito Bardot", explicou Marie-Laure Bellon, organizadora da Mode City, a exposição internacional de lingerie e swimwear realizada de sábado a segunda-feira em Paris.

"Após o escândalo inicial, o biquíni se democratizou, com as mulheres querendo cada vez mais mostrar seus corpos, e obter um bronzeado", acrescentou.

Na década de 1960, o biquíni se tornou uma peça incontestável e sua popularidade foi reforçada por suas aparições em filmes.

Uma das mais memoráveis é a de Ursula Andress emergindo das águas, conchas na mão e punhal na cintura, em uma famosa cena de "James Bond contra o Dr. No", de 1962.

Canções foram dedicadas a ele como em 1960, "Itsy Bitsy, petir bikini", título americano sucesso em todo o mundo, incluindo em português "Biquíni de bolinha amarelinha", que conta a história de uma jovem que usava pela primeira vez um biquíni na praia.

"Mas foi preciso esperar até os anos 1970, quando as mulheres se emanciparam e queimaram o sutiã em público, para que o biquíni, tal como foi concebido por seu criador, voltasse a aparecer, desta vez de forma definitiva", conclui Ghislaine Rayer.


AFP

EMGE

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