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24/11/2015 | domtotal.com

Empreiteiras em baixa

Recessão econômica afetou os investimentos públicos e privados no país.

Sem contratos novos, empresas também estão recebendo menos da União pelos serviços já prestados.
Sem contratos novos, empresas também estão recebendo menos da União pelos serviços já prestados. (Divulgação)

Depois de crescerem a uma taxa média anual de quase 4% na última década, as empreiteiras entraram num rápido processo de declínio. As maiores construtoras do Brasil, como Odebrecht, Camargo Corrêa e Mendes Júnior, não conseguiram fechar contrato no decorrer deste ano, seja porque estão envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga corrupção em contratos com a Petrobras, ou porque a recessão econômica afundou os investimentos públicos e privados no país.

O resultado tem sido demissões (mais de 500 mil empregos foram cortados no setor este ano), vários ativos à venda para fazer caixa e centenas de empresas em recuperação judicial (253 construtoras em processo de recuperação entre janeiro e setembro). A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor feche o ano com queda de 11%, segundo cálculos da consultoria GO Associados feitos a pedido da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) - no ano passado, a retração foi de 2,6%.

Em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o diretor de Investimentos e Operações da LogZ, Roberto Lopes, afirmou que estava com dificuldades para contratar empreiteiras para tocar alguns projetos portuários da empresa. Formada por fundos de investimentos que têm como cotistas grandes fundos de pensão (Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e Funcef, da Caixa), a empresa afirmou que tem receio de contratar alguma construtora que não consiga terminar o serviço.

Sem contratos novos, essas empresas também estão recebendo menos da União pelos serviços já prestados. Levantamento do Contas Abertas mostra que, de janeiro a agosto, os desembolsos foram 58% menores do que em igual período de 2014, R$ 1 bilhão ante R$ 2,4 bilhões. Para algumas companhias, como a Mendes Júnior, essa redução tem um efeito devastador no caixa, já que 76% da carteira da empresa vem do setor público.

 

Energia renovável

O Brasil tem feito o dever de casa no campo da produção de energias renováveis e pode atuar como garoto-propaganda nesse área, inclusive na Conferência Mundial do Clima que acontecerá em Paris, no início do próximo mês. A avaliação foi feita ao GLOBO pela presidente do Conselho Mundial de Energia Renovável, Angelina Galiteva. Conhecida por ter ajudado a fazer uma revolução verde no estado americano da Califórnia, ela teve uma série de encontros em Brasília, na semana passada, com representantes do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Ipea, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

Segundo Angelina, 84% da matriz energética brasileira são de fontes renováveis, com ênfase para as hidrelétricas. Ela acrescentou que os leilões de energia eólica são mais um exemplo de que as fontes serão ainda mais diversificadas. Lembrou que há investimentos em biomassa e recomendou que, no caso da energia solar, o Brasil aprenda com a União Europeia. A especialista também elogiou a decisão do governo brasileiro de liberar as importações de carro elétrico. A seu ver, é uma “excelente solução”. Ela ressaltou que, de forma geral, os consumidores, especialmente os mais jovens, estão cada vez mais interessados em novas energias.

Munida de gráficos que leva consigo a reuniões e palestras, Angelina disse que, ao contrário do que muitos pensam, os investimentos em energia renovável caíram apenas em um primeiro momento na crise financeira internacional de 2008, mas depois se recuperaram. Houve uma queda de 9% em 2009, frente ao ano anterior, mas em seguida, em 2010, os investimentos cresceram 35%. Em 2014, a alta foi de 12% em relação a 2013.

 

Tecnologia

Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na Zona da Mata mineira, desenvolveram um equipamento portátil capaz de identificar produtos adicionados ao leite de maneira irregular. O MilkTech, como foi batizado, faz uma análise quase instantânea do produto e acusa a presença de água e soda cáustica, por exemplo, principais substâncias usadas para fraudar a bebida.

A tecnologia digital, que cabe na palma da mão e permite a avaliação do leite direto na fonte, ou seja, quando ainda está na fazenda, foi testada por quase dez anos e já está pronta para ser comercializada. A expectativa é a de que o produto chegue ao mercado custando cerca de R$ 6 mil. O equipamento digital demora menos de dez segundos para indicar o resultado do leite testado. A análise, que pode ser feita em apenas um copo da bebida, indica não só a presença de substâncias proibidas – soda cáustica, açúcar, soro, bicarbonato de sódio, dentre outros – como identifica a acidez do produto.

Coordenadora da pesquisa, doutora em física e professora na UFJF, Maria José Bell aposta no equipamento como uma forma simples e de fácil manuseio para frear as constantes situações de fraude em leite, no país. O Brasil é o quinto maior produtor da bebida no mundo. No ranking nacional, Minas Gerais ocupa o topo, respondendo por 27% da produção local. O MilkTech é um dos trabalhos que serão divulgados no Inova Minas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).


Fonte: Ideia Fixa - Gestão de Informação

EMGE

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