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29/12/2015 | domtotal.com

Investimentos em construção imobiliária

O próximo ano deve ter um volume grande de entregas de escritórios de alto padrão.

Preços dos empreendimentos econômicos devem cair, em decorrência da migração dos padrões de imóveis.
Preços dos empreendimentos econômicos devem cair, em decorrência da migração dos padrões de imóveis. (Divulgação)

O ritmo dos lançamentos de imóveis comerciais deve elevar a taxa de vacância nos empreendimentos de alto padrão ano que vem. A previsão é que a diminuição no número de escritórios fechados fique para 2017 e, até lá, o momento é propício para negociar valores, já que os preços de empreendimentos de classe luxo caíram e estão similares aos de imóveis econômicos.

"Em 2016 devemos ter um volume grande de entregas de escritórios de alto padrão, o que pode fazer a taxa de disponibilidade subir, principalmente no primeiro semestre", afirma o diretor do setor de escritórios da Colliers International Brasil, Marcelo Ghitnic. O fato de o mercado imobiliário estar aberto a negociações ajuda as empresas dispostas a melhorar a infraestrutura de seus escritórios - termo cunhado como flight to quality (ou "fuga para qualidade", na tradução livre) - a encontrarem imóveis com preços baixos. Isso porque a diferença de preços entre um imóvel antigo e um novo - com vantagens de economia de luz e água - é baixa.

Outra tendência para 2016 é a queda de 10% nos preços dos empreendimentos econômicos, em decorrência da migração dos padrões de imóveis. "O segmento B está em uma tendência forte de aumento de taxa de disponibilidade e queda de preços. O proprietário do B é mais pulverizado e demora a fazer uma leitura de mercado, o que o deixa mais resistente nas negociações", diz. A taxa de vacância nesse perfil de escritório deve subir de 14%, em 2015, para 20% no ano que vem. Outro fator que deve movimentar o mercado em 2016 é o processo de mudança de sedes, em consequência da desaceleração econômica. Com demissões no horizonte, muitos grupos vão reduzir os espaços utilizados e procurar negócios com aluguel de menor valor para atravessar a economia retraída.

 

Concessão ferroviária

Enquanto a ANTT corre para destravar editais e levar à iniciativa privada trechos ferroviários, membros do governo buscam capital estrangeiro para o leilão. Semana passada, o diretor-geral da maior empresa russa do ramo esteve em Brasília e mostrou que o interesse, independentemente da recessão que o País vive, é alto. "Nossa empresa tem capacidade reconhecida de construir e operar as ferrovias com o porte e o tamanho que o Brasil hoje pretende ter. Estou certo que vamos participar do programa de concessões do governo e realizar investimentos aqui", afirmou o diretor-geral da RZHD Internacional, Sergey A. Pavlov.

O encontro entre o empresário e membros do governo federal aconteceu na última semana, e contou com a presença do então ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, que ontem assumiu a cadeira de ministro da Fazenda, substituindo Joaquim Levy.

A via sacra do governo federal este ano, na busca de aproximação com empresários de multinacionais, ainda pode render outras oportunidades de negócios. De acordo com informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a perspectiva é que a visita de empresários para conhecer mais a fundo o programa de concessão se acentue ao longo de 2016. Apesar do potencial, o professor macroeconomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Emerson Jacinto Lopes, ressalta que a redução do grau de investimento no Brasil, que levou o País a ser classificado como BB , entrando na categoria especulativa, pode retardar esse processo. "A atenção e as garantias aos empresários internacionais agora é mais importante que nunca. É possível que o governo eleve a taxa de retorno das ferrovias, além de diminuir a participação da Valec no processo", disse.

A promessa de conceder ferrovias à iniciativa privada faz parte da 2ª fase do Plano de Investimento em Logística (PIL). No modal ferroviário, o programa busca aumentar a capacidade de transporte e diminuir os gargalos. O programa garantirá a aplicação de R$ 86,4 bilhões na construção, modernização e manutenção de 7,5 mil quilômetros de linhas férreas.

 

Energia

Depois de um ano difícil, o setor energético nacional poderá ter uma pequena trégua em 2016, uma vez que tudo indica que este período chuvoso será melhor do que o anterior e os reservatórios das hidrelétricas já estão em níveis mais satisfatórios. Além disso, é esperado que seja necessária uma menor geração de energia e que os preços comecem a recuar, muito em função também da demanda em baixa, fruto de uma economia desaquecida.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste entraram o mês de dezembro em 28,95%. No mesmo período do ano passado, estavam em 19,35%. Isso significa que este período chuvoso começou com uma situação mais confortável do que o anterior.

Com os reservatórios em melhores condições, os preços no mercado livre de energia já estão caindo. Para a última semana de dezembro, o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) do Sudeste ficou em R$ 140,15, conforme divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No mesmo período de 2014, ele estava em R$ 199,57, o que equivale a uma diferença de 29,7%.

A ONS divulgou neste mês uma previsão de geração menor até 2019. Em 2016, por exemplo, era esperada uma carga de 65,5 mil megawatt médio (MWm). Agora, o aguardado é algo próximo de 64,5 mil MWm, ou seja: uma queda de 1,6%. Em 2017, a expectativa também caiu 1,6%, passando de 67,97 mil MWm para 66,89 mil MWm.

Como a redução do preço acontece de forma imediata no mercado livre, movimento que não ocorre no cativo, várias empresas estão migrando para o ambiente livre de negociação. “É fato que o mercado livre está ficando mais movimentado com a baixa dos preços. Só é uma pena não ser uma migração com o intuito de se produzir mais. É apenas para economizar mesmo. Digamos que é mais defensiva do que proativa”, afirma o diretor da CMU Comercializadora de Energia, Walter Luiz de Oliveira Fróes.


Fonte: Ideia Fixa - Gestão de Informação

EMGE

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