Saúde

23/09/2015 | domtotal.com

Trombofilia: exames, diagnóstico e tratamento

Alguns planos de saúde oferecem o tratamento e a medicação, mas não são todos.

Diagnóstico é o primeiro passo para evitar risco durante a gestação
Diagnóstico é o primeiro passo para evitar risco durante a gestação

Por Rômulo Ávila
Repórter DomTotal

A trombofilia é diagnosticada por meio de exame de sangue específico. O problema é que em alguns casos ela é assintomática, o que dificulta o resultado. Por isso, a importância de o médico solicitar a realização do exame para a gestante.  “A gravidez fora mesmo negligenciada pelo obstetra que nos (des)acompanhou. Ele teria que ter notado os indícios de que não estava normal e ignorou”, diz a jornalista Letícia Murta, que perdeu um filho um dia antes da data marcada para o parto. 

Fator V Leiden, proteína C, proteína S, anticoagulante lúpico são alguns exames de sangue que confirmam ou não a doença. Além deles, estudos de imagem, como ultrassonografia, são importantes para localizar coágulos.

Uma vez diagnosticada, o tratamento é feito com anticoagulantes. Nos casos mais graves, os médicos prescrevem heparina. Todo tratamento tem de ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde. Contudo, há casos de falta do medicamento nos postos de saúde de Belo Horizonte. Nesta situação, dependendo da dosagem prescrita, o custo mensal pode superar R$ 1.200. Muitos casais recorrem à Justiça para conseguir a medicação via SUS. “O tratamento é caro. Uma injeção pode custar de 15 a 40 reais, dependendo da marca”, ressalta a jornalista.

Alguns planos de saúde oferecem o tratamento e a medicação, mas não são todos, conforme relata Letícia. Ela ressalta que é uma investigação completa. ‘Os planos de saúde na maioria das vezes não cobrem (a medicação)”, diz. 

“Na gravidez faz-se o uso de enoxaparina ou deltaparina, que nada mais são do que heparinas de baixo peso molecular. A mais conhecida é a Clexane, mas também a mais cara. Versa, Fragmim, Heptrom, Enoxalow apresentam a mesma eficiência no tratamento.

O anticoagulante tem duração de 24 horas e deve ser usado durante toda a gestação e 40 dias após o parto, período extremamente perigoso para a mulher em função dos níveis hormonais”, explica Murta, em post publicado em seu blog (www.eucurtosermae.com.br).

A heparina deve ser aplicada de forma injetável pela própria gestante. A medicação evita a formação de trombos e mantém a coagulação de sangue normalizada. Se diagnosticada antes da gestação, o tratamento com a heparina deve ser iniciado antes mesmo de engravidar.

A trombofilia pode ser tanto hereditária ou adquirida. Diabetes, tabagismo, obesidade, pressão alta e até o uso de anticoncepcionais são apontados pelos médicos como fatores de risco. Formação de coágulos nas pernas são inchaço, dor, vermelhidão e calor são alguns sintomas.

Não são todas as paciente com trombofilia que desenvolvem complicações durante a gravidez, situação que ocorre com 0,5 a 4% das gestantes. 

Critérios de rastreio das trombofilias hereditárias e adquiridas:

-História pessoal ou familiar de tromboembolismo venoso
-Trombose antes dos 50 anos na ausência fatores de risco transitórios
-Tromboembolismo recorrente
-Trombose atípica (mesentérica, esplénica, hepática, renal, cerebral)
-Parente do 1.º grau com mutação específica
-Patologia obstétrica 
-Uma ou mais mortes in utero inexplicadas de fetos morfologicamente normais 
-Três ou mais abortos espontâneos consecutivos, excluíndo causas anatômicas e cromossómicas
-Um ou mais nascimentos prematuros(34 semanas), de fetos morfologicamente normais associados a eclâmpsia ou pré­‑ eclâmpsia grave ou insuficiência placentar.

LEIA O DEPOIMENTO EMOCIONANTE DE LETÍCIA MURTA!

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Redação Dom Total

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