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05/04/2021 | domtotal.com

Manifesto mundial dos jesuítas pela libertação de Stan Swamy

Aos 83 anos e portador de Parkinson, defensor dos direitos humanos é mantido em cárcere na Índia, em plena pandemia

Stan Swamy: 'Estou disposto a pagar pelas minhas ações, seja qual for o preço'
Stan Swamy: 'Estou disposto a pagar pelas minhas ações, seja qual for o preço'

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Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, 31, a Secretaria de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus, em Roma, manifestou sua consternação diante do rechaço das autoridades indianas ao pedido de libertação do padre jesuíta Stan Swamy, mediante pagamento de fiança.

O sacerdote de 83 anos foi preso em sua residência de Ranchi, na província de Jharkhand, e é mantido encarcerado há 170 dias (quase seis meses) na prisão de Taloja, perto de Mumbai, em plena pandemia de Covid-19. “O mais preocupante é que se negue liberdade a um defensor dos direitos humanos que padece de várias enfermidades, inclusive Parkinson”, afirma em seu comunicado o secretário Xavier Jeyaraj, SJ. Abaixo, trechos do documento divulgado para todo o mundo:

“Como companheiros jesuítas, afirmamos que Stan se comprometeu com a defesa dos advasis (indígenas) e outras comunidades desfavorecidas, cujos direitos fundamentais foram negados e sistematicamente pisoteados. Confirmamos que Stan crê, professa e se compromete inequivocamente com atividades para ‘assegurar justiça, liberdade e igualdade a todos os cidadãos e promover a fraternidade, assegurando a dignidade da pessoa e a unidade e integridade da Nação’ (preâmbulo da Constituição da Índia). Os jesuítas também creem e praticam os valores do diálogo pacífico e da não-violência, tal como os praticava Mahatma Gandhi, o pai da nação”.

“Como jesuítas presentes em todo o mundo, estamos desconcertados e indignados ao ler o documento do tribunal que decidiu manter Stan em cativeiro. Em 34 páginas, o documento afirma que Stan ‘tramou uma grave conspiração, junto com membros de organização proibida, para criar distúrbios em todo o país e dominar o governo politicamente e utilizando força física’”.

Manifestação pela liberdade de Stan Swamy em frente à sede da Companhia de Jesus, RomaManifestação pela liberdade de Stan Swamy em frente à sede da Companhia de Jesus, Roma“A Companhia de Jesus nega e condena energicamente tal declaração do tribunal. Nos unimos a Stan e a muitos outros nesta conjuntura crucial. Nos comprometemos a continuar com nosso esforço, tanto a nível nacional como internacional, para trazer à luz a verdade e a justiça e defender os direitos das pessoas vulneráveis de forma pacífica e não-violenta”.

“O que está ocorrendo nos últimos anos não são incidentes isolados. São indicativos de uma erosão da democracia na Índia, como assinalam informes internacionais. Esta não é a situação apenas de Stan Swamy, mas também de outros defensores dos direitos humanos, estudantes, mulheres, camponeses, intelectuais, movimentos da sociedade civil e todos os que se atrevem a se opor ou criticar as políticas do governo. São chamados de terroristas, criminosos e antinacionalistas e encarcerados indefinidamente com base em leis draconianas sem transparência nas investigações”.

“Neste contexto, recordamos as palavras de Stan Swamy em uma mensagem de vídeo gravado dois dias antes da sua detenção: ‘O que está sucedendo não é algo único que afeta apenas a mim. É um processo mais amplo que tem lugar em todo o país. Estou contente em fazer parte deste processo porque não sou um espectador silencioso, mas parte de um jogo e estou disposto a pagar pelas minhas ações, seja qual for o preço’”. (Veja o vídeo abaixo)

Com uma convocação, a Companhia de Jesus conclui seu documento internacional:

“Fazemos um chamamento a todos os governos e organismos internacionais da sociedade civil para que solicitem ao Estado indiano a revogação da Lei de Prevenção de Atividades Ilegais (UAPA) e ponha em liberdade imediatamente o padre Stan e todos os demais defensores dos direitos humanos”.

Em vídeo, a última mensagem de Stan Swamy

*Headlines, newsletter da Secretaria de Justiça Social e Ecologia, divulgada mensalmente pela Cúria Geral da Companhia de Jesus, em Roma. Tradução: Marco Lacerda, Editor Especial do Dom Total

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