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14/04/2021 | domtotal.com

Superlotação dos cemitérios devido Covid pode poluir ambiente com necrochorume

Necrochorume pode contaminar o lençol freático, nascentes de rios e outras fontes de água. Grande número de sepultamentos pode ampliar produção da substância

OMS identifica as necrópoles como potenciais criadouros de bactérias, além de fonte de contaminação de recursos naturais pelo processo de decomposição dos corpos.
OMS identifica as necrópoles como potenciais criadouros de bactérias, além de fonte de contaminação de recursos naturais pelo processo de decomposição dos corpos.

Com centenas de milhares de óbitos causados pela pandemia da Covid-19, o Brasil está diante de um novo e grave problema: a superlotação dos cemitérios.

Especialistas já apontam para uma crise sanitária e ambiental que pode ser desencadeada pela decomposição de corpos humanos em necrópoles, em especial naquelas ao lado de bairros residenciais. Diante de uma média móvel altíssima de mortes diárias, o que fazer?

Desde a primeira morte pela Covid-19 no Brasil, em março de 2020, a realidade dos cemitérios é mais uma imagem dramática da tragédia que vivemos no país.

Assistimos o drama das famílias que não podem enterrar seus parentes com a dignidade merecida e também a sobrecarga de trabalho dos funcionários. Imagens de terrenos lotados de covas entraram para o cotidiano da imprensa brasileira e têm ilustrado a tragédia da pandemia no Brasil.


Com o avanço da pandemia e do número de mortos, a grande preocupação é com o impacto na saúde pública e no meio ambiente que os cemitérios podem causar em um futuro próximo.

Os perigos, no entanto, não são novidade. A Organização Mundial da Saúde identifica as necrópoles como potenciais criadouros de bactérias, além de fonte de contaminação de recursos naturais pelo processo de decomposição dos corpos.

Isso porque, ao se decompor, corpos humanos produzem o chamado necrochorume, um líquido que pode penetrar e contaminar o solo e as fontes de água.

Tal dejeto é composto, dentre outras substâncias, por bactérias, vírus ou protozoários, que causam doenças, além da presença de metais pesados e outras fontes de toxinas.

O necrochorume, ao penetrar no solo, pode contaminar o lençol freático, nascentes de rios e outras fontes de água. A situação se torna ainda mais crítica ao lembrarmos que grande parte dos cemitérios foram construídos de forma inadequada e até irregular, sem controles rígidos de fiscalização.

Além disso, muitos cemitérios estão próximos às nascentes de rios e bairros residenciais pobres, que não possuem acesso ao saneamento básico e dependem da coleta de água no próprio local para consumo.

Em Manaus, o problema já chamou a atenção do IPAAM, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. A capital possui proporcionalmente. Um dos maiores índices de mortes em decorrência da Covid-19, o que levou à lotação de cemitérios municipais e à abertura de valas comuns.

A preocupação do IPAAM é em relação aos dez mil poços de água que abastecem a cidade e aos lençois freáticos, que são mais superficiais na região.

A água contaminada ao ser ingerida pode causar, entre outros sintomas, febre tifóide, vômito, dores, diarreia e tétano.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário, em março de 2021 já havia um aumento de 30% no número de enterros. Essa cifra pode chegar a 60% de aumento real com o agravamento da pandemia.

As empresas funerárias tiveram de alterar seus protocolos de funcionamento desde o começo da pandemia para dar conta da demanda. Agora, os enterros são mais curtos e podem ser realizados à noite.

Frente aos números de mortos, é necessário, agora, o aumento do monitoramento dos enterros e da fiscalização dos locais. No entanto, desde o começo da pandemia, o Ministério do Meio Ambiente não se posicionou em relação à situação dos cemitérios e as consequências que teremos de enfrentar no pós- pandemia.


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