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22/04/2019 | domtotal.com

Uma aldeia tatuada com flores

O vilarejo de Zalipie, na Polônia, mantém a tradição de decorar todas as suas paredes.

Por Marco Lacerda*

Gente de todo o mundo adora decorar suas casas, mas poucos são tão bons quanto os moradores de Zalipie. Decoração e pintura colorida das casas é uma tradição secular no vilarejo isolado na região sudeste da Polônia. As mulheres locais pintam suas casas não com uma única cor, mas com uma gama de estampas florais vibrantes. Esses padrões adornam as paredes externas, portas, janelas e até o teto. A vila inteira parece mergulhada em uma profusão de cores e alegria.

Não está claro quando a tradição começou exatamente. Uma lenda local diz que a origem remonta a um momento em que a fumaça dos fogões sem chaminé escapava pelos pequenos buracos nos tetos. As mulheres tentavam branquear e encobrir as pequenas manchas de fuligem nas paredes, mas isso não funcionava; então mudaram para pinturas de flores em seu lugar.

Os tapa-manchas já não são necessários com cozinhas modernas, chaminés e uma melhor ventilação, mas a vila Zalipie ainda mantém a sua tradição. Ao longo do tempo, os padrões tornaram-se mais complexo e sofisticados. E agora não estão limitados apenas aos lares. Se você andar por Zalipie, logo vai encontrar currais, ranchos, galinheiros, caixas d'água, casinhas de cachorro, muros, poços e todos os outros objetos imóveis pintados a mão. Mesmo a ponte da aldeia teve sua beleza revitalizada por essas estampas florais.

Em tempos mais antigos, as mulheres de Zalipie faziam os seus próprios pincéis usando o pelo do rabo de vacas locais. Os pigmentos eram orgânicos também, elas usavam gordura de fritura para dar corpo à tinta. Geralmente decoravam suas casas uma vez por ano, durante a festa de Corpus Christi, quando não tinham muito trabalho agrícola para fazer.

Hoje, a aldeia de Zalipie têm uma competição anual durante a festa para celebrar a sua tradição milenar. Pintores locais, a maioria mulheres, competem para ver quem cria os arranjos florais mais intrincados nas paredes das casas, e também retocam padrões de anos anteriores.

A história desta forma de arte única estaria incompleta se não mencionássemos uma mulher em particular: Felicja Curylowa, uma senhora que se tornou tão obcecada com essas pinturas que cobriu de flores cada superfície possível de sua casa de três quartos. Paredes, colchas, almofadas, cobertas, móveis e até o teto. Sua casa foi transformada em um museu da aldeia.

Um passeio pela arte de Zalipie. Veja o vídeo.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do DomTotal.

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