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06/05/2019 | domtotal.com

Turismo sobre duas rodas

Cidades cuja beleza é um convite para moradores e turistas se locomoverem de bicicleta.

Turistas passeiam de bicicleta pelo coração de Dublin, Irlanda.
Turistas passeiam de bicicleta pelo coração de Dublin, Irlanda.

Por Lonely Planet*

Em algumas grandes cidades se começa a apostar no transporte sustentável, principalmente na bicicleta, chamada para substituir o automóvel como símbolo dessa mudança. Para comemorar isso, visitamos algumas das cidades que já estão em duas rodas em termos de mobilidade. Daquelas com mais tradição em ciclismo, como Amsterdã ou Copenhague, até as recém-chegadas ao uso majoritário da bicicleta urbana, como Bogotá ou Sevilha.

1. Chicago, pedalando contra o vento

Na Windy City, a cidade dos ventos, se pode pedalar feliz entre os arranha-céus do bairro de negócios, o Loop; por vias na beira do Lago Michigan para aqueles que preferem circular com o perfil de Chicago ao fundo, ou pela Milwakee Avenue, a chamada via expressa dos hipsters. Ou seja, as possibilidades são muitas e variadas, e não é coisa de agora: já em 1900, antes do automóvel, esta cidade do Estado de Illinois (EUA) era bike friendly: havia mais de cinquenta clubes de ciclismo com mais de 10.000 membros e se diz que a comunidade do ciclismo conseguiu fazer prefeito seu advogado mais brilhante, Carter Harrison Jr. Curiosamente, dois prefeitos mais contemporâneos aumentaram essa afinidade: Richard J. Daley, que promoveu a construção das primeiras infraestruturas para bicicletas na década de 1970, e seu filho mais velho, Richard M. Daley, promotor da Chicago ciclística do século XXI. Está previsto que em 2020 a cidade tenha 1.000 quilômetros de ciclovias.

2. Bogotá, a revolução das duas rodas

É uma das cidades que fez da bicicleta um emblema da mudança, com novas infraestruturas projetadas para o transporte sustentável, especificamente a bicicleta. Para ver esse novo fenômeno ciclístico em seu auge não há nada melhor do que sair na rua em qualquer domingo. Nesse dia, a Ciclovía coloca à disposição dos bogotanos 100 quilômetros do melhor asfalto, as avenidas mais largas da cidade e mais de um milhão de cidadãos ocupam suas ruas a pé, de patins ou, a grande maioria, de bicicleta. A Ciclovía tem sua própria história. Nasceu na década de 1970, da imaginação de Ortiz Marino, ativista de grande senso cívico escandalizado com a grande quantidade de espaço ocupado pelos carros nas vias públicas. Teve a ideia pioneira de mobilizar os ciclistas como contraponto e o sucesso foi fulgurante, tanto que a iniciativa atravessou todas as classes sociais.

3. Dublin, ciclismo urbano com ar celta

A conquista de Londres pelos ciclistas, inclusive antes dos Jogos Olímpicos de 2012, inspirou Dublin, uma pequena cidadede 500.000 habitantes. Tanto que atualmente é possível circular alegremente de bicicleta pela capital da Irlanda graças aos 120 quilômetros de pistas exclusivas para ciclistas e outros 50 quilômetros de vias compartilhadas com ônibus. Dentro da cidade não há uma única ladeira e o Dublinbikes, o serviço público de locação, tinha 70.000 assinantes em 2016.

A bicicleta é especialmente prática para visitar tanto os seus tesouros arquitetônicos –do Trinity College ao castelo de Dublin, ao sul de Liffey– quanto os seus espaços verdes: da ciclovia do Grande Canal ao magnífico Phoenix Park, ao norte, cujas avenidas mais bonitas são hoje dedicadas às duas rodas. Uma boa ideia para os ciclistas é subir as montanhas localizadas ao sul de Dublin: três enormes rochas a 444 metros acima do nível do mar que oferecem uma vista fabulosa da cidade e fazem com que o esforço valha a pena.

4. Estrasburgo, a pequena França com pedais

Deve-se chegar a Estrasburgo de trem. E logo depois da vidraça da estação central, parar por um momento diante da visão de centenas de bicicletas amarradas a arcos ou umas às outras. Considerada a capital da União Europeia, é indubitavelmente uma cidade ciclística. Provavelmente a mais comprometida com as duas rodas da França, e a quarta na Europa, de acordo com a classificação elaborada pelo gabinete dinamarquês Copenhagenize em 2015. Na ilha central e em seus arredores, da catedral à pitoresca Petite France, existe uma atmosfera agradável. Os ciclistas conquistaram a cidade na década de 1990, paralelamente à renovação do bonde. Cada um dos canais que a percorrem, cada uma das suas avenidas, tem desde então um espaço reservado para as bicicletas. Até 600 quilômetros em 2017.

5. Amsterdã, paisagem (ciclo)urbana

Se existe uma cidade ciclística por excelência, é Amsterdã, onde há praticamente tantas quanto habitantes. Ou inclusive mais, porque o excesso desses veículos tornou-se quase um problema para os pedestres. Na cidade holandesa as bicicletas fazem parte da paisagem urbana, que já possui três elementos inconfundíveis: os canais, as fachadas do século XVII e as bicicletas. Em Amsterdã, transformada em paraíso para os ciclistas antes de qualquer outra cidade, nada é longe, o terreno é totalmente plano e os usuários são lembrados por um revestimento vermelho que estão circulando em uma via onde a velocidade é limitada a 30 quilômetros por hora. Em cada semáforo há um espelho para que os motoristas possam ver os ciclistas em seu ponto cego. Aprende-se a andar de bicicleta e as regras de circulação na creche, e os pontos negros da cidade são sinalizados e objeto de intervenções.

É por isso que a cidade convida a ser explorada em duas rodas. Primeiro o Jordaan, o bairro burguês e boêmio. Dali até o Dam, o centro nevrálgico, e um pouco mais adiante o Museumplain, para admirar Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, os mestres holandeses. O Vondelpark oferece uma pausa bucólica, para logo parar em um coffee shop para tomar um bruin café(café marrom) bem quentinho.

6. Sevilha, agora de bicicleta

Os sevilhanos e sevilhanas desafiam os clichês locomovendo-se de bicicleta. Na capital andaluza o cicloturismo explodiu, com passeios em duas rodas tão atraentes como o que vai da ponte de Triana à catedral, passando pela Plaza de España. Antes, a cidade teve de ser transformada. Os planos de circulação desenhados na margem ocidental do Guadalquivir, por ocasião da Expo 92, abriram uma brecha. Atualmente, Sevilha possui um serviço municipal de aluguel compartilhado de 3.000 unidades e calcula-se que quase 100.000 circulem diariamente pelos 120 quilômetros de vias reservadas às bicicletas (de cor verde). Costumam ser acessíveis desde as calçadas e são protegidas por uma barreira de cones. Além disso, desde 2010, o número de lojas especializadas em bicicletas aumentou de 10 para 50 e algumas delas (como a Santa Cleta) oferecem treinamento gratuito ou mecânico para os desempregados.

7. Copenhague, 12.000 quilômetros sem subidas

A aposta da capital dinamarquesa pela bicicleta é tão evidente que pode ser vista do céu. Da janela do avião, antes do pouso, é possível ver áreas exclusivas para bicicletas pintadas de azul elétrico (também em cada cruzamento) e, em tons laranja ou verde, ciclovias que percorrem toda a cidade. Uma vez na rua, as surpresas continuam. Os táxis não podem se recusar a transportar uma bicicleta e a tarifa por isso é de apenas 50 centavos. A sincronização dos semáforos é feita em função da velocidade dos ciclistas. Além disso, desde 2005, foram investidos 150 milhões de euros (cerca de 640 milhões de reais) em infraestruturas para bicicletas, como pontes exclusivas para ciclistas, como a de Cykelslangen, ou o Inner Harbor, que liga os bairros de Nyhavn e Christianshavn.

8. Berlim, um mundo à parte

Em 2016, um grupo ecologista iniciou um processo de referendo popular para pressionar o Governo municipal a pôr em prática um ambicioso plano voltado à bicicleta: 450 quilômetros de novas ciclovias, 100 deles para usuários rápidos, vias de ao menos dois metros de largura em cada avenida, semáforos sincronizados de acordo com a velocidade dos ciclistas... Além de flashes da história europeia mais recente –dos restos do Muro ao Reichstag e a Porta de Brandeburgo–, percorrer Berlim transmite uma enorme energia e vitalidade contemporânea, cultural e artística, por exemplo, na elegante Potsdamer Platz, e fazê-lo de bicicleta permite se deslocar confortavelmente por uma cidade que é oito vezes mais extensa do que Paris.

9. Moscou verde, seguindo o Moscovo

A queda da URSS aconteceu há 25 anos, mas a ânsia dos moscovitas para exibir seu acesso aos bens de consumo ostentosos continua enorme. E o automóvel (um que seja caro), é um objeto de desejo. Desde 2010 Moscou é a cidade mais congestionada do mundo, onde a bicicleta poderia ser uma solução. A mudança é lenta –apenas 3% da população aproveita as ciclovias do centro– mas os usuários não recuam, nem sequer diante do frio mais intenso: no inverno de 2017, com temperaturas de 30 graus abaixo de zero, grupos de militantes noctâmbulos circulavam de bicicleta.

10. Utrecht, o novo modelo

A quarta cidade da Holanda tem muitos encantos: canais, becos medievais, terraços com uma atmosfera quase latina e vida estudantil ao abrigo de uma das universidades mais prestigiadas da Europa. Mas com 400.000 habitantes, Utrecht é, em primeiro lugar, uma cidade de ciclistas. Cerca de 40% dos milhares de passageiros que chegam diariamente à estação central o fazem de bicicleta. Isso explica o arriscado projeto de criar o maior estacionamento de bicicletas do mundo, uma vez levada ao extremo a adaptação das vias de circulação e depois de escavar vários túneis e inaugurar diversas pontes reservadas às duas rodas. No subsolo do complexo de salas de exposição Jaarbeurs, cerca de 30.000 vagas de estacionamento estarão disponíveis em 2020, distribuídas em três andares, com vagas corrediças de modernidade absoluta. Utrecht é a cidadeeuropeia que deve ser descoberta de bicicleta neste início do século XXI.

*Lonely Planet é a maior editora de guias de viagem do mundo. A empresa é de propriedade da BBC Worldwide.

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