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20/05/2019 | domtotal.com

Balenciaga e a pintura espanhola

Museu Thyssen abre exposição sobre a obra do maior estilista de moda de todos os tempos.

Cristóbal Balenciaga em foto de 1927
Cristóbal Balenciaga em foto de 1927

Por Marco Lacerda*

Se houve alguma vez na História uma combinação perfeita entre a arte de um estilista de moda e a pintura, ela foi alcançada pelo espanhol Cristóbal Balenciaga. O também estilista André Courrèges, francês, pupilo de Balenciaga por mais de uma década, costumava dizer que “ele casava o contraste da matéria-prima usada com a grande violência espanhola. Na obra de Balenciaga encontram-se Velázquez e Goya, o amor e o sangue. Balenciaga refaz o caminho da morte, como o toureiro num rodeio”. A frase de Courrèges antecipa uma das mais esperadas exposições do ano.

A mostra, “Balenciaga e a pintura espanhola”, estará em cartaz no Museu Thyssen-Bornemisza, de Madrid, a partir de 17 de junho. Setenta vestidos do modista estarão em diálogo com mais de 60 obras pictóricas de distintas épocas artísticas em um projeto que levou quase cinco anos para ser gestado. Por quê em Madrid? O curador da exposição, Eloy Martínez de la Pera, explica: “A organização seria impossível se a mostra não fosse realizada na capital, que é o epicentro dos melhores museus de pintura espanhola. O Prado, o Lázaro Galliano e o Cerralbo são apenas alguns dos centros de arte que cederam pinturas para colocá-las em contraste com Balenciaga”.

Não é a primeira vez que uma exposição dá destaque à relação visceral de Balenciaga com a cultura do seu país. A primeira retrospectiva depois de sua morte, em 1972, aconteceu no MET de Nova York, em 1973, tendo como responsável a editora e ícone da moda Diana Vreeland, e foi seguida por outras em Paris, Itália e outras capitais da moda. Esses tributos reiterados são uma resposta lógica ao profundo conhecimento que Balenciaga tinha da arte espanhola.

Seu primeiro contato com a moda teve lugar na infância, quando acompanhava a mãe, que trabalhava como costureira, à Vista Ona, a residência que os marqueses de Casa Torres tinham em Getaria sua terra natal nos Países Bascos. Os marqueses eram donos da maior coleção de arte espanhola do país, que incluía Velázquez, Goya e Pantoja de la Cruz, entre outros.

Graças a esse contato privilegiado, abriram-se para o jovem Cristóbal as portas de um mundo fascinante que seria chave em sua trajetória. Além do fato de que, a partir daquela visita, a marquesa de Tores se tornaria sua mecenas, custeando toda a sua formação. Foram vários os pintores que influenciaram o estilista, sobretudo os dos séculos 19 e 20. Mas a grande força e a inspiração vieram de Velázquez, Goya e Zuloaga, que terão salas próprias na exposição que será inaugurada em junho no museu Thyssen-Bornemisza.

Vestido de noite da coleção Balenciga de 1952, inspirado no retrato da Duquesa de Alba de Ignacio Zuloaga, de 1921.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total

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