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10/12/2019 | domtotal.com

A missionária que tirou a virgindade do rapazinho

Um jovem inexperiente vai viver a mais maravilhosa experiência de sua juventude

'Duncan', um 'conto' escrito por Paul Simon no psicodélico início dos anos 70.
'Duncan', um 'conto' escrito por Paul Simon no psicodélico início dos anos 70.

Sérgio Vaz*

É como um conto, uma beleza de conto – curtinho, extremamente enxuto, à la Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba que queria chegar à perfeição de que seus contos não fossem maiores que hai-kais.

Talvez precisasse haver uma explicação, uma contextualização, um intróito dizendo que ele foi escrito no inicinho dos anos 70, aquela época dos hippies, mas também, claro, das pessoas religiosas, catequizadoras.

Bobagem, isso. Ou o conto é bom – e nesse caso a contextualização não é necessária –, ou então não é.

Mesmo assim, insisto na contextualização. O texto foi escrito em inglês, e com rimas – e rimas ricas. Isto que vai aqui é uma tentativa canhestra de contar a história na última flor do Lácio, inculta e bela – sem a beleza do texto original, sem a riqueza das rimas.

É um relato em primeira pessoa, como muitos dos de tantos outros grandes contistas.

Um jovem inexperiente, bem inexperiente – que vai viver a que seria provavelmente a mais maravilhosa experiência de sua juventude.

Lá vai.

O casal no quarto ao lado merecia um prêmio. Estão nessa, indo e vindo, a noite inteira, e eu, bom, só estou tentando dormir um pouco, mas essas paredes do motel são baratas demais.

Me chamo Lincoln Duncan, e esta é minha história.

Meu pai era um pescador, minha mãe era uma amiga de pescador. E então, no fim da adolescência, saí de casa e fui tentar a vida na Nova Inglaterra, doce Nova Inglaterra.

Furos na minha auto-confiança, furos nos joelhos da minha calça jeans.

‘Duncan’ saiu no álbum ‘Paul Simon’, o primeiro após a separação dele e de Art Garfunkel.‘Duncan’ saiu no álbum ‘Paul Simon’, o primeiro após a separação dele e de Art Garfunkel.Estava sem um centavo no bolso, estava sem absolutamente nada, e gostaria de ter um anel pra poder botar no penhor.

Aí tinha uma moça pregando para um bando de gente, cantando canções de igreja e lendo a Bíblia. Eu disse pra ela que estava perdido, e ela me contou tudo sobre Pentecostes, e eu vi que aquela garota era a estrada para a minha salvação.

Mais tarde, naquele mesmo dia, deslizei pra dentro da barraca dela, com uma lanterna, e meus longos anos de inocência acabaram. Ela me levou para o bosque, dizendo que estava vindo uma coisa boa, e eu fui laçado.

Meu, que noite, que jardim de delícias. Até hoje me lembro bem daqueles momentos = eu tocava meu violão, debaixo das estrelas, agradecendo ao Senhor pelos meus dedos.

Ahnnn …

Não tem um bilionésimo da beleza do texto original, cheio de belas rimas, e cantado na voz maravilhosa de seu autor, Paul Simon.

“I told her I was lost

And she told me all about the Pentecost”.

Ah, meu! Bob Dylan e Leonard Cohen, tenho absoluta certeza, gostariam de ter escrito esses versos!

Eis a íntegra da letra de “Duncan”. A canção saiu no álbum Paul Simon, de 1972 – o primeiro disco solo após a separação dele e de Art Garfunkel.

“Duncan” – Paul Simon. Ouça.


*Sérgio Vaz é jornalista, ex-Estadão, Agência Estado, Jornal da Tarde, revistas Marie Claire e Afinal. Edita os sites 50 Anos de Filmes e 50 Anos de Textos.

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