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Crítica | The Undoing

30/11/2020 15:25:38

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Há um mês e meio atrás, estreava mais uma série grandiosa da HBO. A casa de Game of thrones, Westworld, His dark materials entre tantos outras obras de imenso sucesso mostrou mais uma vez que possui um dos melhores catálogos disponíveis quando decidiu hospedar The undoing, uma história de extrema qualidade que, para dizer o mínimo, é imperdível.

Do mesmo criador de Big little lies (David E. Kelley), também da HBO, The undoing traz de volta o conceito de cliffhanger que, segundo o dicionário, é “uma história ou situação que causa emoção porque seu final ou resultado é incerto até acontecer.” Com o hábito que o público adquiriu de “maratonar” séries, já que as plataformas de streaming passaram a lançar todo o conteúdo de uma vez só em seus catálogos, tal concepção andava meio perdida. Mas The undoing foi sendo solto a conta-gotas, episódio a episódio, semana a semana, lembrando o público de como era enlouquecer pela espera da continuação depois de ser jogado numa situação inesperada.

Assim, antes de tudo, a primeira coisa que chama atenção na série é o elenco. Protagonizada por Nicole Kidman (que também é produtora) e Hugh Grant, a obra também conta com Donald Sutherland, Edgar Ramírez e o talento (não tão mirim assim) Noah Jupe. Esses nomes, por si só, já serviriam para ligar o alerta de sucesso em nossas mentes, mas as expectativas foram superadas pelo excelente texto de Kelley e a elegante e extremamente competente produção de Nicole Kidman.

No enredo, o mundo idílico dos milionários do Upper East Side de Nova York é balançado por um assassinato brutal que acaba refletindo na família perfeita de Grace (Kidman), Jonathan (Grant) e Henry (Jupe). E tudo fica ainda melhor quando o magnata Franklin (Sutherland), entra em cena para apoiar a filha.

Desse modo, a narrativa é construída na forma de um suspense muito efetivo que mexe com a cabeça do espectador principalmente porque sabe lidar muito bem com as manipulações mentais, o que é potencializado pelas excelentes atuações. Mas não é só isso. Todo o background de sofrimento causado pela investigação do crime é emoldurado pelo cenário maravilhoso da alta sociedade nova iorquina, num contraste excepcional que se encontra exatamente no ponto em que a irrealidade privilegiada de uns poucos, tangencia a realidade dura da maioria. Aí se incluem o Central Park, museus e apartamentos de alto luxo e também delegacias, viaturas de polícia e tribunais.

Por outro lado, é difícil decidir qual é o ponto alto da série dentre tantos embates psicológicos sutis enquanto tentamos descobrir quem é o assassino. O tabuleiro foi armado em apenas seis episódios, nos convidando para brincar de Detetive num contexto em que a beleza pode atrapalhar o julgamento do júri e do espectador.

The undoing é isso. É drama. É suspense. É thriller. É qualidade. É sucesso.

Publicado originalmente em O Cinema é

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