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Crítica | Lar Doce Lar... Ou Não

01/12/2020 18:20:02

Está afim de ficar de bobeira no sofá, então esse filme é para você!

lar doce lar post

Se “lar doce lar” já é uma expressão clichê para expressar o bom sentimento de estar no seu cantinho, então esse é o termo perfeito para ser título da obra de estreia do diretor Juan Mas, Lar doce lar… ou não (Home Sweet Home).

No enredo, Victoria (Natasha Bure) é uma menina fútil que gosta de brincar de caçar homens só para mostrar que conseguia fazê-los cair em sua rede, mas quando um estranho, Jason (Ben Elliott), não corresponde ao seu flerte, desafiando-a, ela resolve se inscrever como voluntária na organização cristã que ele dirige só para chamar sua atenção. Mas ela não imaginava que sua vida iria mudar radicalmente.

Assim (começando os comentários pelo final), depois de subirem os créditos, a sensação que fica é aquela de tranquilidade (quase sono) que bate quando assistimos a uma história serena e sossegada, sem qualquer arrebatamento ou emoção mais forte. Mas no fim das contas, a mensagem contida na película traz seu valor. “Bobinho, mas bonitinho” parece, portanto, ser a definição correta para o filme.

Lar doce lar… ou não é marcado por muita simplicidade, diálogos fáceis e atuações fracas e mecanizadas, porém, da mesma forma e por incrível que pareça, também é fácil de assistir, já que a parte técnica ruim (exceto, talvez, a trilha sonora, que até que pode ser salva), torna-o muito comédia.

Dessa forma, a história não mostra nada mais do que uma garota fútil, ou, para usar a expressão inglesa utilizada na própria película, shallow, que descobre que é muito mais do que aparenta e quer tentar se descobrir. Para tanto, ela usa a religião, que aliás, também é uma das personagens do longa. Está aí a profundidade que se pode encontrar na forma rasa usada na produção.

Sendo assim, eu diria que o que o filme quer dizer, a pedra de toque da narrativa, é que nós podemos mudar a palavra-chave de nossas vidas – a característica que nos define – para, assim como Victoria (que de shallow, passou a ser cristã), tornar-nos pessoas melhores.

Portanto, mesmo com os clichês, atuações ruins, forma simplista e fácil e completamente previsível, Lar doce lar… ou não pode ser o filme adequado para aquela hora em que a cabeça está cheia e você já pensou demais, a típica sessão da tarde levinha para um dia cheio. Afinal, como todo bom cristão sabe bem, Deus escreve certo por linhas tortas.

Texto publicado originalmente em O Cinema é

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