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Crítica | Lupin – 2ª temporada

24/06/2021 12:31:39

Além de Arsène Lupin, Omar Sy se torna o Batman na sequência da icônica série francesa.

Lupin 2 ª Temporada Destaque
Lupin / 2021 © Divulgação Netflix

A segunda parte de Lupin chega à Netflix para dar continuidade ao sucesso francês que deu o que falar no começo do ano. Mais “sacada” do que a primeira temporada, e quase tão boa quanto, ela traz Omar Sy de volta com seu icônico personagem Assane Diop para, dessa vez, salvar o filho das garras do perigoso Hubert Pellegrini (Hervé Pierre) e continuar sua vingança.

E assim a história mantém o mesmo ritmo que ditou a temporada passada, com alguns personagens ganhando mais destaque e outros perdendo um pouco de espaço, mas nosso protagonista segue dando seu show à parte. Diop e Pellegrini dão sequência a seu jogo, sempre dez passos à frente da polícia – que não tem chance contra nenhum dos dois. Dessa forma, todas as suas artimanhas acontecem enquanto o corrupto Dumont (Vincent Garanger) e o esforçado Guedira (Soufiane Guerrab) brincam de policial mal e policial bom sob a supervisão severa de sua colega Sofia (Shirine Boutella), fazendo a atividade de burlar ou enganar a lei parecer tão fácil quanto respirar – e olha que Assane faz isso desde a adolescência, como pudemos observar por meio dos recorrentes flashbacks. Aliás, que grande professor Arsène Lupin é, não é mesmo? Ainda bem que não são todos os criminosos que leem esse clássico da literatur a!

Nesse ínterim, a forma de Lupin é a mesma que uma vez conhecemos – a vida imitando a arte – e, novamente, somos brindados com a atuação elegante e impecável de Sy, tornando mais uma vez óbvio que a série é ele. O cenário deslumbrante mostra uma Paris luminosa e gloriosa, a cidade luz em seu melhor significado, um reduto da arte e do bom gosto. Porém, em oposição, uma parte mais sombria da capital francesa também nos é apresentada: as famosas catacumbas, onde uma das maiores cenas de perseguição da temporada acontece e Diop exibe mais uma vez os seus dotes de homem-prodígio. Ao lado de Ben (Antoine Gouy), os dois assumem uma estranha semelhança com Batman e Robin, ainda mais levando em consideração esse ambiente cavernístico!

Aliás, nessa comparação inusitada com o super-herói de Gotham, será que outras associações poderiam ser feitas? Pellegrini poderia se encaixar no papel do vilão Pinguim (não acham que o físico combina?) e Guedira se tornaria o comissário Gordon, sempre passando pano para o métodos pouco ortodoxos do herói que admira, se levarmos em conta que o policial nitidamente passou a considerar Diop o Arsène Lupin encarnado. E se forçarmos um pouquinho a barra, talvez possamos colocar a intrépida Juliette (Clotilde Hesme) como a Mulher-Gato? Huuuum… ok! Talvez eu tenha exagerado um pouco!

Além disso, não há como não falar sobre a trilha sonora que continua deliciosa, contituindo-se num fator óbvio do sucesso da obra.

Sendo assim, somente alguns detalhes soam um pouco sem sentido no enredo tão interessante de Lupin, a saber: quem é aquela policial aleatória que aparece do nada para reconhecer Diop vestido de bombeiro e ostentando uma peruca enorme e, o mais importante de tudo, como ela o reconhece? Outro ponto se refere a Claire (Lindsay Seim) que, compreensivelmente, rejeita o ex-marido durante toda a temporada. Então por que, no último episódio ela se joga nos braços dele e, apaixonada, pede que ele não vá embora? De fato são pontos que incomodam, mas, por todos os outros motivos apresentados, não o suficiente para estragar a série. Que venha então a terceira temporada!

P.S. Onde está J’accuse?

Publicado originalmente em O Cinema é
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