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Crítica | Caminhos da Memória

26/08/2021 12:09:53

Quer conhecer uma grande distopia?

Caminhos da Memória Destaque
© Divulgação Warner Destaque

Quando li que o nome de Lisa Joy constava na direção e no roteiro de Caminhos da memória (Reminiscence), todos os alertas de ‘filmaço’ piscaram em minha mente. Eu esperava muito desse longa e, além de não me decepcionar, fiquei ainda mais arrebatada por essa obra que mal estreou nos cinemas e já subiu para a lista dos meus top 10 filmes favoritos da vida (quiçá top 5!).

Joy chegou ao mundo do audiovisual demonstrando ser uma mestre. Sua primeira série, Westworld (2016-), que ela criou em parceria com seu marido, Jonathan Nolan, é umas das produções mais incríveis em seu gênero já feitas para TV, e agora, seu primeiro filme como diretora demonstra o incrível talento na criação e na realização de histórias que ela possui, e tenho certeza que quem é fã de mistério e ficção científica (os gêneros favoritos da cineasta) como eu, vai concordar comigo.

A história se passa num mundo distópico pós-apocalíptico onde a água cobriu todas as terras mais baixas do planeta e o aquecimento global está mais forte do que nunca. Nesse mundo, o cientista Nick Bannister (Hugh Jackman) ganha a vida com a nostalgia. Com sua máquina super tecnológica, ele revive o passado dia após dia para tentar encontrar a mulher que ama, perdida há muito tempo.

A fórmula do sucesso está em cada pequeno detalhe dessa obra, a começar pelo casting. O elenco é bom por si só, mas a química correu solta nos sets de filmagem. Para começar, Joy trouxe a excelente Thandiwe Newton e Angela Sarafyan – a Maeve e a Clementine de Westworld – para a linha de frente de sua história, mas quem rouba a cena mesmo são seus protagonistas. Hugh Jackman e Rebecca Ferguson, que já haviam trabalhado juntos em O rei do show, dominam a cena de tal forma que tiram o fôlego.

E não é só isso. Como decorrência do apocalipse que devastou o mundo e do calor absurdo decorrente do aquecimento global, a vida se tornou noturna. Por isso, a fotografia se utiliza de tons mais escuros, jogando com a luz e a sombra com maestria.

Mas a pedra de toque de toda a história é a alternância entre realidade e memória. É por isso que “fluidez” é a palavra que define Caminhos da memória. A água que cobriu a maior parte das terras s secas dado planeta não é somente a causa da destruição do mundo que se conhecia até então, mas uma perfeita analogia para seu principal tema: a mente humana e sua memória, nosso maior legado. O que pode ser mais fluido do que isso?

E nesse cenário caótico, depois do romance intenso entre Nick e Mae (Ferguson) e o súbito desaparecimento dela, um mistério muito mais complexo do que todos poderiam imaginar se forma.

Para aqueles que podem estar se perguntando se há algo de novo em Caminhos da memória, a resposta é não, mas mesmo assim, nessa mistura de gêneros só pôde surgir um resultado: um grande filme para quem curte toda essa distopia maravilhosa. É o que acontece quando uma história está em boas mãos, e esta esteve nas mãos habilidosas de Lisa Joy, portanto vale a pena no mínimo a conferência. Já foi para o cinema?

Publicado originalmente em O Cineme é
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