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Crítica | No Limite do Mundo

19/05/2022 12:34:52

Um aventureiro britânico vira rei de uma ilha asiática três vezes maior que a Inglaterra.

No Limite do Mundo Destaque
© Divulgação Atômica Destaque

Em 1838, o soldado britânico e aventureiro James Brooke (Jonathan Rhys Meyers) chegou a Bornéu, a terceira maior ilha do mundo, localizada na Ásia. Muito impressionado com o arquipélago malaio, em Sarauaque, ele ajuda o futuro sultão de Brunei, o príncipe Badruddin (Samo Rafael) a lutar contra um levante. Como recompensa, Badruddin oferece a Brooke o governo de Sarawak, em troca de sua ajuda.

Filme biográfico dirigido por Michael Haussman, No limite do mundo (Edge of the world) possui um grande chamariz quando apresenta como protagonista ninguém menos que Jonathan Rhys Meyers, o Henrique VIII de The Tudors. E ele faz um grande trabalho. Sua atuação é esplêndida, assim como as paisagens naturais da ilha malaia que é o palco da história, nessa época praticamente intocada pelo homem.

Esse cenário paradisíaco nos é apresentado pelo diretor sob cores frias puxadas para o azul, o verde e o cinza, sendo ele um dos principais personagens da história. Mas ao mesmo tempo que revela tanta beleza, da forma como foi mostrado,, somado à voz em off do personagem principal narrando a história, também contribui para criar uma atmosfera de imensa tristeza e desolação – sensação que permanece do primeiro ao último minuto do filme e contribui para nos fazer questionar o motivo de Brooke ter se decidido por abandonar seu próprio povo para fazer de Sarauaque seu lar.

Os diálogos pouco profundos e situações muito apressadas também não contribuem muito para a história, o que contrasta com o ritmo extremamente lento da película e a aparência de não dinamicidade. Como dito, No limite do mundo se traduz em Meyers, já que nem Dominic Monaghan, que interpreta o primo de Brooke, Arthur, consegue fazer muito para ajudar em razão de seu pouco tempo de tela.

Por outro lado, é muito interessante observar a forma como um homem branco se tornou rei de um território onde sua raça não era superior, alcançando tal feito somente pelo amor e a confiança que inspirava. Recusando-se a entregar Sarauaque à Inglaterra, ele fez questão de ressaltar a soberania de seu país e, o mais importante de tudo, conseguiu manter essa soberania.

Sendo assim, tenho certeza de que a vida de James Brooke foi muito interessante, infelizmente, pelos motivos explanados, muito mais interessante do que No limite do mundo fez parecer.

Publicado originalmente em O Cinema é
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