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Crítica | La Casa de Papel – Temporada 5, Volume 1

09/09/2021 12:03:39

Com a mesma qualidade técnica de sempre, nova temporada estreia cheia de “encheção de linguiça”.

La Casa de Papel - Parte 5, Volume 1 Destaque
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SPOILER ALERT!

É… Os tempos de ouro de La casa de papel ficaram realmente lá atrás, no final da segunda temporada, no assalto à Casa da Moeda da Espanha.

Bella Ciao.

A série que saiu da Península Ibérica e conquistou o mundo se tornou mais uma daquelas obras que não teve a coragem de dizer que acabou quando deveria ter dito e quis estender uma história que já estava terminada – e muito bem terminada, aliás. Não seguiu o belo exemplo de Fleabag (2016), que se encerrou em seu auge para ficar na memória como uma das grandes séries de comédia.

Bella Ciao.

O resultado foi uma temporada que, embora bela na aparência como sempre foi – porque a qualidade técnica continua a mesma -, tem incontáveis minutos de “encheção de linguiça”. Se formos computar, meia temporada se foi recheada de flashbacks desnecessários de personagens que, embora interessantes, como Rafael (Patrick Criado), o filho de Berlim (Pedro Alonso) e o ex-amante de Tóquio, René (Miguel Ángel Silvestre) de nada servem para acrescentar à história a não ser, como já dito, preencher o tempo e esticá-la.

Bella Ciao.

A trama continua depois que Raquel, ou Lisboa (Itziar Ituño) é resgatada por seus companheiros e entra no Banco da Espanha enquanto o intragável Coronel Tamayo (Fernando Cayo) recruta o Exército para tentar resolver a situação e o Ursinho Pooh (kkkkkkkk) Ángel (Fernando Soto) tenta colocar algum senso de razão em sua cabeça dura.

Esse começo de última temporada, porém, como já esperado, não serviu para engrandecer a série, cheio que foi daquelas “sacações” básicas como Alicia Sierra (Najwa Nimri), em estado de gravidez avançada, conseguir dominar e render três homens – tudo bem, dois, vai!, porque Benjamin (Ramón Agirre) é velhinho! -, ou mesmo o Professor (Álvaro Morte) fazendo manobras médicas na hora do parto.

Bella Ciao.

Mesmo assim, no entanto, é claro que tivemos grandes momentos, como a cena em que Tóquio (Úrsula Corberó) salta, agarra uma granada em pleno ar, gira e a atira de volta com um lançamento certeiro por entre o buraco da imensa tampa de fogão feita de ferro fundido que cobria a passagem da cozinha onde ela, Denver (Jaime Lorente) e Julia (Julia Otero) estavam encurralados. Ela repete assim, mais uma das cenas memoráveis da série como aquela, lá no começo do seriado, quando ela retorna à Casa da Moeda de forma gloriosa, novamente saltando no ar, numa manobra fantástica de moto.

Dessa forma, não tem muito o que dizer sobre o início dessa temporada que não seja ou esses momentos incríveis ou aqueles inacreditáveis que nos deixam cheios de perguntas inexplicáveis, pelo menos no contexto da história, sendo que a maior delas é: por que nos tiraram Tóquio? Já não bastava terem matado Nairóbi (Alba Flores) e agora mais essa? Nos tiram outra das melhores personagens assim, num piscar de olhos? Será que é para deixar a parte final de La casa de papel pior do que poderia ser?

Sinceramente é uma pena, porque esse seriado poderia ter ficado na memória como um dos melhores do gênero crime e ação.

Não vou dizer que não assistirei aos últimos episódios que chegarão em dezembro, mas o farei somente pelo legado dessa obra, aquele que ficou lá atrás no assalto à Casa da Moeda da Espanha.

E sendo assim, eu vos digo mais uma vez: bella ciao.

Publicado originalmente e O Cinema é
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