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Crítica | Cry Macho: O Caminho Para a Redenção

07/10/2021 12:47:26

Clint Eastwood é o pai que todo garoto gostaria de ter.

Cry Macho / 2021 © Divulgação Warner
© Divulgação Warner

Não é à toa que Clint Eastwood é um dos grandes nomes de Hollywood. O ator e diretor impressiona não só pelo seu talento no manejo da sétima arte, mas também pelo vigor. No auge de seus 91 anos de idade, ele ainda se mostra mais do que capaz de dirigir e atuar, e foi o que ele demostrou em seu mais novo filme, Cry Macho: O caminho para a redenção (Cry Macho).

Na história, ele interpreta Mike, um cowboy fracassado que, meio perdido na vida, recebe a missão de ir buscar um garoto no México e trazê-lo de volta para seu pai, no Texas.

Filmado no Novo México, Cry Macho é dominado pelo western, um gênero que o diretor aprecia muito e que domina. A fotografia do longa impressiona em suas cores de tons pasteis, mostrando com graça as belezas que as paisagens desérticas que compõem o cenário principal podem ter.

Mas o que realmente chama a atenção é a delicadeza, a sutileza com que Eastwood trata dos temas que aborda, saindo-se muito bem até mesmo nos alívios cômicos, sem jamais parecer pretencioso! Essa característica sua, que vem de longa data, se estende até hoje e a película em questão não é exceção.

O protagonista, Mike, parece ser um homem de caráter mais bronco, principalmente depois que a vida lhe deu uma rasteira daquelas que ficam marcadas para sempre, mas ao conhecer Rafo (Eduardo Minett), o garoto que deveria ir buscar para entregar a seu pai, acaba mostrando seu lado paternal mais profundo, ensinando ao menino, enquanto estão na estrada, o que é ser um bom homem, salvando-o, assim, de se tornar um delinquente. Essa relação de pai e filho é o principal mote do filme e acaba se tornando o caminho para a redenção de Mike, como o título em português do longa já revela.

Quanto ao enredo, Cry Macho possui uma cadência mais lenta, porém passa longe de ser maçante ou monótono – afinal estamos falando de Clint Eastwood, e Clint Eastwood sabe fazer cinema. Além disso, nesse caso ele é ajudado por um roteiro impecável e surpreendente, com personagens ricos e interessantes que dão à história um tempero especial, a exemplo do próprio Rafo e da sensacional Marta (Natalia Traven).

Sendo assim, fica claro que esta é uma película imperdível, daquelas atemporais que envelhecerão tão bem como seu protagonista. Cry Macho não é só um bom filme, é também uma belíssima história.

Publicado originalmente em O Cinema é
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