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Crítica | Lúcifer – 6ª temporada

23/09/2021 12:30:23

Adeus, Lúcifer!

Lúcifer 6ª temporada Destaque
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SPOILER ALERT!

Sejamos razoáveis. Lúcifer, da Netflix, é mais uma série que se sustentou até a 6ª temporada somente pelo legado das primeiras. E só o Todo Poderoso sabe como foi difícil conseguir terminar de assistir a essa temporada surpresa da série do diabo interpretado por Tom Ellis. Mais difícil ainda é ter que admitir isso, mas como finalmente chegamos ao final, vejamos alguns pontos importantes que devem ser relembrados antes de mais nada.

É necessário recordar, portanto, que a produção de Lúcifer era originariamente da FOX que, depois de três temporadas, resolveu cancelar a série, para desespero dos fãs. Mas a Netflix, num ato de misericórdia, depois de observar os lamentos dos pobres órfãos mortais nas redes sociais, salvou a série e tomou as rédeas da situação. A partir de então, a obra passou a ser original do streamer vermelhinho. Resta-nos saber, no entanto, se essa ressurreição aconteceu realmente para o bem da série, ou se talvez tivesse sido melhor tê-la deixado sucumbir lá em 2018.

E ouso dizer que sim, talvez tivesse sido melhor viver com certa nostalgia do que ver Lúcifer definhar aos poucos nas mãos da Netflix. A bem da verdade, já na terceira imensa temporada de 26 episódios, quando ainda era da FOX, a melhor parte do seriado já havia passado e a história já dava sinais de que começava a decair num lento espiral. E mesmo depois de respirar novos ares e experimentar de novo a vida, nada conseguiu levar Lúcifer de novo a seus áureos tempos.

Vamos nos concentrar, todavia, nessa sexta parte – o golpe final nos fãs do diabo -, e analisar alguns detalhes, tendo sempre em mente que, talvez como a grande a maioria dos que me leem e apesar dos pesares, eu amo e sempre vou amar Lúcifer.

As inconsistências de roteiro, negligência com personagens e a “encheção de linguiça” básica

Lúcifer desde sempre apresentou algumas inconsistências de roteiro, mas embora a maioria seja até perdoável, outras são gritantes demais até para uma série desse estilo. Dessa forma, a negligência com certos personagens importantes no enredo é com certeza algo notável. São pessoas que de repente somem sem qualquer explicação ao público, como Trixie (Scarlett Estevez), por exemplo que, da filha da protagonista feminina do seriado virou mais uma conveniência de roteiro, aparecendo somente em algumas cenas aqui e ali para nos recordar de sua existência. Nessa sexta temporada até que se lembraram de citá-la algumas vezes, mas a garota mal apareceu – estava sempre em algum acampamento, ou dormindo na casa dos avós, ou algo do tipo.

E se fizeram isso com Trixie, não deveria ser surpresa que a falha se repetisse. Dessa vez, na sexta temporada, Charlie, o filho angelical de Amenadiel (D.B. Woodside) com Linda (Rachael Harris) também sumiu sem mais nem menos, assim como Carol (Scott Porter) – personagem que nos foi apresentado como o novo interesse amoroso de Ella (Aimee Garcia) -, para, depois, reaparecerem milagrosamente por alguns momentos.

E por falar em Ella, impressiona o tanto que uma personagem tão boa foi totalmente desperdiçada nessa última parte. É óbvio que a policial forense teria muito mais para oferecer do que lhe permitiram entregar.

Porém, o que mais chama atenção é a “encheção de linguiça” básica que foi toda essa temporada, dez longos episódios recheados de cenas totalmente desnecessárias que não precisavam estar ali. Meu Deus… O que foi aquela passagem em que Lúcifer e Chloe (Lauren German) se transformam em cartoons (desenho animado)? Este serviu somente para competir com o mais enfadonho episódio de toda a série: o fatídico episódio noir da temporada anterior.

A passagem da “festa do pijama” em que Lúcifer reúne seus amigos para lerem o imenso livro que Linda escreveu, ou aquela em que Chloe provoca Maze (Lesley-Ann Brandt) para treinar luta com ela destruindo sua própria casa, são apenas mais alguns dos vários exemplos que eu poderia citar. Porém, o maior deles, foi sem dúvida…

A morte de Dan

A morte de Dan (Kevin Alejandro) é até hoje algo que considero inexplicável. O ex de Chloe era um personagem totalmente coadjuvante que de repente recebeu uma atenção igualmente inexplicável. O episódio só dele na temporada anterior é outro que compete pelo pódio dos mais maçantes da produção.

Sua morte, que não decorreu absolutamente de uma eventual necessidade da saída de Alejandro da série – muito pelo contrário, o ator, que inclusive dirigiu vários episódios de Lúcifer, não queria deixar a produção – levou a mais uma leva de cenas bem chatinhas… O que não poderia deixar de ser, já que o próprio Dan é, por si só, bem chatinho.

O aparecimento de Rory

Mas vamos falar agora sobre a grande novidade da temporada. Admito que a ideia de Lúcifer e Chloe terem tido uma filha que viaja no tempo para encontrá-los é bastante plausível e até interessante e, nesse caso, dou a mão à palmatória. Rory (Brianna Hildebrand) foi com certeza o centro ao redor do qual girou todo o enredo dessa última parte. A meio-anjinha tinha tudo para ser uma personagem muito interessante, com suas “asas-navalha” de bronze e tal e, por isso, foi uma pena que ela tenha se mostrado tão irritante.

Desta feita, levando em conta o mote que os criadores tinham em mãos, percebe-se o quanto o final de Lúcifer poderia ter sido bem melhor do que foi. Ah! Se ele tivesse sido melhor trabalhado… Bastariam cinco episódios com um enredo mais enxuto e ficaríamos bem.

O final que se redime um pouco

Mas se serve de consolo, o episódio final conseguiu se redimir um pouco. Lúcifer, graças a Deus (ou a Rory?), não virou Deus e o “cargo” foi para quem realmente se encaixava melhor nele, Amenadiel. O diabo finalmente voltou para casa, o Inferno, mas totalmente diferente de como havia saído de lá, muito tempo antes.

Como estava viva, Chloe não pôde acompanhá-lo, mas admito também que seus momentos finais na série foram bem bonitos, assim como as últimas cenas.

Chegamos, portanto, ao fim de mais uma série que alcançou seu legado e, apesar de não ter sabido se direcionar em várias partes do caminho, terá para sempre um lugarzinho no coração dos fãs. Então é adeus, Lúcifer!

Publicado originalmente em O Cinema é
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