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Crítica | Casa Gucci

25/11/2021 12:21:55

Ridley Scott arrasa com exagero e glamour no Vaticano das grifes.

Casa Gucci Destaque
© Fabio Lovino 2021 Metro-Goldwyn-Mayer Pictures Inc. Todos os direitos reservados. Destaque

De contos de fada que terminam em desastre o mundo está cheio. Mas a nova tragédia da Universal Studios, Casa Gucci (House of Gucci), dirigida por Ridley Scott, também está cheio de glamour. E como não poderia deixar de ser? Estamos falando de umas das maiores e mais cobiçadas marcas do mundo e existe um certo ar de religiosidade quando se pensa na Gucci como o Vaticano das grifes. Em nome do Pai, do Filho e da Casa Gucci…

Hoje propriedade do grupo Kering, a Gucci foi, em sua origem, uma empresa familiar, mas depois da morte de Maurizio Gucci, neto do fundador Guccio Gucci, nenhum membro da família está mais ligado à marca.

A referida morte, aliás, compôs um dos maiores escândalos da última década do século passado, uma vez que Maurizio foi assassinado a mando de sua ex-mulher, Patrizia Reggiani. E foi essa trágica história que Scott resolveu contar em sua segunda grande produção do ano (O Último Duelo está imperdível também), e não me espantarei caso Casa Gucci ganhe várias indicações ao Oscar do ano que vem, incluindo o de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz para Lady Gaga e melhor ator para Adam Driver, o que seria o mínimo, dado o que se pode testemunhar em tela. Eu também incluiria melhor ator coadjuvante para Al Pacino e melhor trilha sonora.

Eu nem precisaria dizer mais nada uma vez que já está óbvio o cardápio de excelentes atuações e a maravilhosa qualidade técnica que se somam ao belíssimo roteiro adaptado do livro de Sara Gay Forden (e eu acrescentaria mais uma indicação à estatueta dourada nesse quesito também).

Numa análise mais geral, é possível dizer que o que mais se nota no filme é um certo exagero, uma certa forma caricatural de alguns personagens, principalmente nos de Al Pacino (que interpreta Aldo Gucci) e Jared Leto, irreconhecível como Paolo Gucci. Tal exagero não incomoda nem um pouco em relação a Al Pacino. Porém, pessoalmente, nunca gostei do estilo de atuação de Leto em qualquer filme, e este não foi exceção. Para meu gosto, até seu exagero é exagerado. Sobre o figurino nem se fala… Estamos discutindo Gucci, afinal de contas, e quando se trata de grife, exagero é o que não falta, ainda mais quando pensamos em Patrizia Reggiani, tanto a verdadeira, como a fictícia. Mas a alta costura e os acessórios feitos por quem entende da coisa… é tudo lindo de se ver!

De outra forma, Scott imprime sua marca em cada detalhe do longa, desde a fotografia até os alívios cômicos muito bem pontuados e é sorte nossa que, em dois filmes neste ano, em ambos ele trabalhe com Adam Driver, um dos mais talentosos atores da contemporaneidade. Mas é Lady Gaga o verdadeiro trunfo do diretor. Se alguém atuou melhor que ela este ano, tem pouco mais de um mês para provar.

A trágica história do relacionamento entre Maurizio Gucci e Patrizia Reggiani ficou meio obscurecida por certo período, mas conhecê-la pela visão aguçada de Scott por meio do material oferecido por Sara Gay Forden é também muito glamouroso. Não assistir seria um sacrilégio de sua parte. Em nome do Pai, do Filho e da Casa Gucci.

Publicado originalmente em O Cinema é
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