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Crítica | Ferida

21/04/2022 15:01:44

Estreia de Halle Berry como diretora supera muitos veteranos por aí.

Ferida Destaque
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Ferida (Bruised), o primeiro filme de Halle Berry como diretora, chega à Netflix com grande visibilidade e a seguinte questão: será que o longa é realmente bom, ou se sustenta somente por causa do peso do nome da atriz, agora cineasta?

O enredo segue Jackie Justice (Halle Berry), uma ex-lutadora de MMA que batalha para recuperar a guarda do filho enquanto tenta recomeçar a carreira nos ringue. Não há dúvida, portanto, que o longa está envolto numa grossa camada de drama e que a história fala principalmente sobre traumas.

De forma muito eficiente, Berry soube mostrar como o mundo é sempre mais difícil para as mulheres e como todas as escolhas que sua personagem fez na vida, desde a carreira como lutadora de MMA – uma clara forma de defesa contra os abusos do mundo -, até os seus relacionamentos, foram regidas por uma infância traumática, marcada pelas constantes agressões e estupros que sofria nas mãos dos “namorados” da mãe que, negligente, nem percebia o que acontecia debaixo de seu nariz.

O filme tem uma cadência moderada, não se pode dizer que é dinâmico ou parado, mas conta com a atuação carismática de Berry que sabe conduzi-lo muito bem por seus meandros dramáticos e bastante pesados, contando também com cenas bastantes cruas da vida como ela é – um toque sutil de neorrealismo, mas o que vemos, na realidade, é a vida de uma mulher traumatizada que, por ter boa índole, escolhe o esporte para dar a volta por cima quando a criminalidade e a prostituição batiam com força em sua porta.

Por outro lado, nada se pode dizer contra a qualidade técnica da película. A maquiagem se destaca, principalmente quando o rosto de Jackie aparece inchado e cheio de hematomas depois de cada luta. A fotografia é bastante cinzenta, assim como foi a vida da personagem. E além disso, o roteiro bem escrito consegue construir uma enorme afinidade com a personagem principal em seu verdadeiro desafio: dar a volta por cima e reconstruir a relação com a filho.

Destacam-se também as lutas de MMA, que me lembraram um dos últimos grandes sucessos da Rede Globo, A Força do Querer (2017), em que Paolla Oliveira também interpretou uma lutadora. O filme, no entanto, faz bem melhor.

Sendo assim, respondendo à pergunta acima, acredito que a visibilidade de Ferida se deve sim ao peso do nome de Halle Berry (como não poderia deixar de ser), mas não é difícil notar que, para seu primeiro filme como diretora, a obra foi um tremendo desafio que ela teve que enfrentar. E superou muitos veteranos por aí.

Pulicado originalmente em O Cinema é
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