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Crítica | Downton Abbey 2: Uma Nova Era

28/04/2022 16:48:28

Lindo e glamouroso, longa mostra a beleza do cinema em sua forma mais pura.

Downton Abbey 2 Destaque
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Sou suspeita para falar de Downton Abbey, a qual considero uma das melhores séries já feitas e que agora chega ao segundo filme da franquia spin-off do cinema com o mesmo glamour, sofisticação e encantamento da TV, mas mesmo assim, vou tentar. É que não é só a estória, não são só os personagens nem a delicadeza de todo o trabalho. É tudo.

Quando, já no início, a câmera se movimenta, subindo dos jardins impecáveis para mostrar o maravilhoso Castelo de Highclere (a casa dos Crawley na ficção) e o tema épico da obra chega alto e imponente aos nossos ouvidos, é impossível não se emocionar. Desperta a saudade metafísica e inexplicável de uma época que nunca vivemos, mas que, apesar de tudo, parece melhor que a nossa.

Downton Abbey 2: Uma Nova Era, tem seu começo pouco tempo depois dos acontecimentos do primeiro filme, com o casamento de Tom (Allen Leech) e Lucy (Lucy Smith), e os Crawley recebem mais uma visita inesperada em seu magnífico lar: a equipe de cinema do diretor Jack Barber (Hugh Dancy), que quer fazer um filme em Downton. Mas as surpresas não param por aí. A matriarca da família, Violet Crawley, interpretada pela sempre incrível Maggie Smith, recebe uma herança inusitada de um antigo amante e, enquanto Mary (Michelle Dockery) supervisiona os trabalhos do belo e sedutor cineasta, o resto da família parte, então, para uma visita à romântica Riviera francesa.

Minha suspeição vem de longa data, como já mencionado, mas nem por isso eu deixaria de apontar os eventuais problemas que a película poderia apresentar, mas que, apesar disso (sinto muito!), não existem. Os filmes, assim como a série, continuam mostrando as transformações do intenso e turbulento século XX tanto do ponto de vista da aristocracia como pelo da classe trabalhadora, com o mesmo peso e dedicação. E o longa de Simon Curtis supera até mesmo seu antecessor, prestando uma belíssima homenagem ao próprio cinema quando nos revela, em seu desenrolar, como os filmes eram feitos antigamente.

Estamos agora no finalzinho dos anos 1920, no exato momento da transição do cinema mudo para o cinema falado, quando muitos dos grandes astros de Hollywood iam desaparecendo à medida que não se davam muito bem com o som. Esses mesmos astros que, apesar de toda a admiração que atraíam, sofriam grande preconceito da sociedade conservadora – aqui representada principalmente pelos mais velhos, como Carson (Jim Carter) e Violet -, que os consideravam vulgares e até mesmo asquerosos. O cinema era uma arte em plena expansão e, ainda que causasse espanto, permanecia pouco entendida. Difícil não lembrar do inesquecível clássico Cantando na Chuva (1952), que possui um mote parecido.

E como se não bastasse, ainda fomos brindados com maravilhosas imagens da Riviera francesa. Através do passeio dos Crawley, percebemos, de forma sempre delicada, ainda que ostensiva, os motivos que levaram à velha rivalidade entre ingleses e franceses.

Mas mesmo que tirássemos a indiscutível beleza da fotografia, ainda há que se comentar sobre o deslumbrante figurino, que neste filme chama ainda mais a atenção, seja pelas roupas de banho que Tom e Lucy usam em seus mergulhos no mar, seja pelo sofrimento que Carson teve com sua vestimenta pesada no calor da Riviera, ao qual não estava acostumado, seja pelos arrasadores trajes ostentados pelos hóspedes hollywoodianos Guy Dexter (Dominic West) e Myrna Dalgleish (Laura Haddock).

Sendo assim, lindo e glamouroso, o que se pode concluir de Downton Abbey 2: Uma Nova Era, é que o filme é perfeito tanto em sua proposta como em sua execução. Espero que a franquia continue em pleno desenvolvimento, porque seria igualmente prazeroso assistir a como os Crawley lidariam com o grande problema que o século XX trouxe a seguir: a terrível depressão econômica de 1929.

Publicado originalmente em O Cinema é.
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