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Crítica | O Homem do Norte

12/05/2022 12:36:59

Robert Eggers faz Alexander Skarsgård encontrar seu lado mais primitivo.

O homem do norte
© Alexander Skarsgård como Amleth em ‘O Home do Norte’ © 2022 FOCUS FEATURES LLC. Todos os direitos reservados.

Existem filmes e filmes. Alguns demoram para “engrenar”, outros não engrenam nunca e outros ainda são somente “assistíveis”. Mas têm aqueles, mais raros, cuja a experiência vale cada segundo e, juro para vocês, que O Homem do Norte, o terceiro longa-metragem e o primeiro grande filme de estúdio de Robert Eggers – também diretor dos icônicos A Bruxa e O Farol -, é um deles.

A película que se passa no século IX d.C. conta a história do príncipe Amleth (Alexander Skarsgård) que, ainda garoto, vê seu pai ser assassinado pelo próprio irmão Fjölnir (Claes Bang). Depois que sua mãe e todo e seu povo também são tomados pelo assassino, ele foge e, anos depois, já adulto, retorna, determinado a fazer justiça.

Não é demais afirmar que uma estória nórdica contada por um diretor com a visão singular de Eggers faz toda a diferença. Mesmo considerando o belíssimo trabalho feito na série Vikings, da Netflix, O Homem do Norte traz a cultura nórdica para as telas de uma forma nunca antes vista.

E assim, como não poderia deixar de ser, o filme é gutural, violento e “imenso”, assim como seu personagem principal, já que, para dar vida a Amleth, Alexander Skarsgård se ergue do alto de seu 1,94 de altura para se tornar um verdadeiro gigante, ainda que na maioria das cenas ande encurvado e com a cabeça baixa. Aproveitando-se dessa envergadura, Eggers explora o lado mais primitivo do ator, transformando-o numa fera movida somente pela vingança – astuto como uma raposa, perigoso como um lobo e forte como um urso.

Aqui, a humanidade é praticamente rejeitada quando homens se transformam em animais e mulheres em valquírias e feiticeiras, um mundo grotesco dentro da belíssima fotografia, majoritariamente escura e manchada por litros e litros de sangue, mas que se abre para as imagens que lembram eras muito antigas, resquícios de um mundo já esquecido.

Um mundo que, como o filme faz revelar da cultura nórdica, é governado por deuses terríveis e belicosos e cujo o único conforto é saber que o Valhala espera, com seus banquetes intermináveis e batalhas eternas.

E não se enganem! Aqui não existe qualquer pretensão de megalomania, o filme é “grande” pela própria essência. A violência pesada, sempre presente, não é banal, mas parte de um todo maior que a abraça e a torna… não tenho palavras para descrever. O queixo cai, os olhos se arregalam, os punhos se cerram.

Saiba, portanto, que com O Homem do Norte, Eggers mostrou pela terceira vez a que veio, mesmo que este tenha sido seu filme menos autoral. Mostrou pela terceira vez que ele próprio é um gigante do audiovisual contemporâneo e que domina o meio cinematográfico como poucos. Assim, fecho o texto propondo um brinde a ele. Skål.

Publicado originalmente em O Cinema é
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